Estima

Disponibilidade: Brasil

às vezes se pode observar a presença de minhocas na cabeça.
às vezes se pode observar a presença de borboletas no estômago.
nem sempre as pulgas estão atrás da orelha de animais domésticos.

R$52,00

_sobre este livro

Certa vez ouvi do poeta Mario Quintana que “as pessoas nascem poetas, assim como nascem de olhos verdes ou azuis”. Então eu pergunto: o quanto de azul existe nos verdes olhos de Guga Limeira? Eis uma psicodelia lírica que parece tecer nos primeiros uivos o ritmo e a pantomima de onde nasce seu canto.
Eis um artista que é um vespeiro de inquietações, mestiçagens e musicalidades. O que há em sua imersão pelas linguagens do mundo é denso e profundamente humano.
Seu experimento é um mergulho que começa na música e que bebe no teatro, mas se estrutura sempre na linguagem. É de onde Guga reconhece e recolhe o que sangra e o que acalenta.
Nascido numa família de artistas e militantes das boas causas universais, Guga já é um dos nomes destacados na fervura da nova geração musical paraibana. Faz parte do grupo Quadrilha, que tanto lembra fenômenos como o Clube da Esquina.
Desde muito observo que sua criação musical nasce inequivocamente da palavra. Mas sempre é a palavra selvagem que domina. Aquela que o torna indomável aos modismos midiatizantes. O poeta já está posto e não parece render-se aos cercos e apelos do imediato. Em Estima, a poesia de Guga Limeira explode em pequenas epopeias que vão narrando convulsivamente esses tempos de psicodelia bélica, onde a morte ronca do lado de fora, balança janelas e arvoredos como um ciclone.

Um crescente sopro que vai devorando corações aparvalhados diante do extermínio das abelhas. Epopeias sem plumas, de cães sem plumas nem razões dissonantes na respiração ofegante dos nossos dias.
Quando fala de um cão, o poeta nos diz: “se olhe no espelho, porra!”. Veja o quanto você é pequeno e peludo. Mesmo depilado. Sinta o quanto do que você diz haverá de ser compreendido — ou não. É para isso que a palavra mostra os dentes e rosna diante dos desmantelos.
De vera, o livro fala e rosna, mas conta da nossa condição de gente, tão cercada de grandiosidades quase invisíveis e invariavelmente plenas. Algo que nos alerta para a extensão filosófica e existencial das pequenas emoções. Fala dos conflitos geopolíticos e dos afetos afeitos ao cuidado. Afinal, “onde há um cão,/há um território”.
Ao carpir os continentes da palavra, Guga seguiu os roteiros do espelho: “ginetes são como mel/ao qual formigas recorrem/os cavalos, quando morrem,/devem ir prum carrossel”. No mais, o que não se vê também se mostra ao mundo em seus reflexos. É isso! Vai, Guga, ser gauche na vida.

Lau Siqueira

_outras informações

isbn: 978-65-5900-614-4
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 80 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2023
edição: 1ª

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