Sol-morto

Disponibilidade: Brasil

hostil presença paterna que me assombra;
Pater noster; Κρόνος devorador de proles.
Por muito tempo, não pude lamentar
como força de sublimação;
por muito tempo, tuas garras fincaram em meu
corpo e
enclausuraram o meu pranto, secando até as lágrimas
mais profundas.
Pater noster, tu que violas o templo das crianças
— nas infâncias cindindo
por entre relvas e pedregulhos rachados; na loucura dos orvalhos;
nos desvarios amarelos de feixes-de-luz habitados dentro do sol e fora da Terra.
Pater meus, apenas meus; fui
único em tua vida; flori como
corações-selvagens em pecado de ira protuberante,
fluindo pelas catarses da vida.
Pater meus…
tua hostil presença ainda me assombra; e sobre
escombros ergo os punhos,
e proclamo meu direito
de chorar sem culpa.

R$82,00

_sobre este livro

Sol-Morto nos espanta com o encantamento das palavras e dos silêncios, elevando a palavra até o ponto de ruptura — uma desagregação do eu e seus signos. Com uma densidade poética potente, o autor vai, aos poucos, decompondo sua própria mente de forma figurada, através da solidez dos versos — desintegrados gradualmente. E não é meramente um exercício poético esse desmembramento, o poeta usa a forma do poema (e não só o conteúdo) como metáfora para expor sua maior fragilidade: o medo de se perder completamente, a ponto de sequer se reconhecer frente a si mesmo. Medo esse que vem de suas vivências: a demência de sua avó paterna, a esclerose e lenta degradação de sua avó materna e seu transtorno mental psicótico.
O poeta aqui assume o papel de humano, onde cada palavra do livro tem um peso metafórico e real, alcançando uma linguagem que nos coloca frente a um crepúsculo vespertino que esvanece qualquer luz de consciência.

_outras informações

isbn: 978-85-7105-503-2
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 200 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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