hostil presença paterna que me assombra;
Pater noster; Κρόνος devorador de proles.
Por muito tempo, não pude lamentar
como força de sublimação;
por muito tempo, tuas garras fincaram em meu
corpo e
enclausuraram o meu pranto, secando até as lágrimas
mais profundas.
Pater noster, tu que violas o templo das crianças
— nas infâncias cindindo
por entre relvas e pedregulhos rachados; na loucura dos orvalhos;
nos desvarios amarelos de feixes-de-luz habitados dentro do sol e fora da Terra.
Pater meus, apenas meus; fui
único em tua vida; flori como
corações-selvagens em pecado de ira protuberante,
fluindo pelas catarses da vida.
Pater meus…
tua hostil presença ainda me assombra; e sobre
escombros ergo os punhos,
e proclamo meu direito
de chorar sem culpa.