Peñas grises. Playa sola.
Mar sin posible retorno
por voluntad de la ola.
Vientre justo, sin adorno,
en el que el cielo se riza.
Litoral recoge y briza,
y aguas verdes, verdes ondas
sus cansancios que acongojan,
crecen fantásticas frondas
que en cristales se deshojan.
R$54,00
_sobre este livro
É difícil falar de Hidalgo sem falar de Morte.
O pintor e poeta perdeu a mãe cedo, ainda criança e, durante a Guerra Civil Espanhola, teve forçosamente de trabalhar contabilizando os mortos no front. Isso agravou ainda mais seu assombro e preocupação com o lado extremo da vida. Ainda que Los muertos seja sua obra mais comentada quanto a esse aspecto existencial e fatal, é em Raíz que se percebe essa vocação florescendo. São versos permeado pelo escuro, o subterrâneo, o enterrado, o abandono. As raízes, com seu reino telúrico “cujo sangue não pulsa”, onde insetos e calafrios habitam o palpitar do medo. A aurora, símbolo transitório de luz e sombra, “matou aquela pomba sem uma gota de sangue”, mas não é uma pomba e sim uma mulher “que estende roupas brancas sobre a madrugada,/uma mulher com uma palavra congelada entre os dentes/que põem um ponto gélido/nos gritos que ia desgrenhando pelos prados”. Mas ainda há lampejos, arroubos iluminados nesses poemas noturnos, como em “Amor assim”, no qual Hidalgo escreve: “Quando dois corpos se unem para amar,/queima-se mais devagar a solidão da terra”, nos ensinando que, apesar de que, cedo ou tarde, a terra nos devorará, amar ainda é o mais próximo que temos do que é ser fogo, aclarando a nós e ao mundo.
_outras informações
isbn: 978-85-7105-403-5
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 130 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª