Há livros que tocam a mente e há os que tocam a pele. Poemas, desalinhos e declarações de amor, da minha querida amiga Tamara Amoroso, é desses que a gente sente na carne.
Ela escreve com o corpo todo. Com as mãos, o ventre, a boca, o silêncio. Cada poema é uma confissão vestida de coragem, uma lembrança com cheiro, uma saudade que pulsa. Tamara não descreve o amor: ela o encarna. Mostra o que resta dele: o gozo, o enjoo, o arrepio, o desencaixe, o retorno a si.
Este livro faz a gente se olhar no espelho sem filtro. É reconhecer, no espelho da outra, as nossas próprias contradições: o querer e o não querer, o prazer e a culpa, o poder e a entrega, a liberdade e o medo de estar só. Ela escreve de um lugar que é feminino e feroz.
O sexo aqui não é só desejo: é pensamento. É pela carne que ela entende o mundo. Pela escrita, devolve sentido ao corpo, ao amor, ao tempo.
Tamara escreve sobre o que toda mulher já sentiu, mas poucas tiveram coragem de dizer. Faz isso com uma linguagem que é dela: crua e lúcida. Terna. Irresistível.
Este livro é um convite. Um chamado para habitar o corpo e a alma com presença. Para lembrar que ser livre também é se contradizer, se despir, se recompor.
Tamara nos lembra: amar é um ato político. E sentir, um risco necessário.
Ana Luisa Neca