— É para o Roseiral, se faz favor — enunciou, gerindo temerosamente o espaço tomado pelas botas na retaguarda do condutor. A viatura entrou em movimento, despertando o alarme do cinto. Tim. Tim. O coração de Carlota pôs-se-lhe ao ritmo enquanto, atabalhoada, deitava as mãos à faixa negra e puxava, puxava. Não entrava: não era aquele o trinco. Era o do lugar do meio. O que lhe pertencia estava enterrado nas ranhuras entre os bancos repletas de cotão, areias e pele morta. Tim. Tim. O clique final recuperou-a da urgência fria e incómoda. Cheirava a hortelã-pimenta. Ajeitou-se na cadeira, sentindo ainda o peso das botas para as quais mal tinha espaço e, finalmente, olhou o condutor no retrovisor.
Ele olhava de volta.
(O Roseiral, página 9)
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