O santo, o paladino e as aventuras de farra do Pança

Disponibilidade: Brasil

Joaquito tem o sonho de tornar-se Paladino, encontrar sua Donzela e conquistar um Castelo. Para isso, veste sua armadura de samambaia e põe os pés na estrada. Porém, não consegue ir além da borda da cidade, onde conhece Dácio, um garoto que trabalha como guardinha do lugar. Juntos, planejam uma viagem que jamais acontece.

O Santo e o Paladino é uma saga de amizade e de coragem. Uma prosa poética, uma sátira medieval, em que essas bravas crianças enfrentam mil razões que não as deixam ir além do que seus olhos podem ver. Mas quão valioso é o lugar tão problemático que seus olhos agora veem?

R$54,00

_sobre este livro

MACONDO É AQUI


Este livro, com fortes aromas da prosa de García Márquez, nos apresenta a questão curiosa da temporalidade. Isto se dá por meio da criação de um lugar intransponível, onde suas personagens conversam parecendo não se abater pelos ruí dos urbanos que tanto silenciam nosso espírito. O autor, que também me é um amigo caríssimo, parece sacar as pequenezas da existência e nos apontar que existe significado nos simples atos da vida. O que quero dizer é que se deitar sob uma árvore, comer uma fruta, cumprimentar o vizinho, em
O santo, o paladino e as aventuras
de farras e panças
é um ato filosófico spinoziano, uma prosa de total imanência em que tudo acontece no exato momento em que acontece. Corolário urobórico: o que acontece, acontece. Schleiden acerta “no nervo” ao nos apontar uma narrativa em que a simplicidade vale ouro e jamais existe atraso, estresse, compromissos encavalados e noites mal dormidas. A fantasia faz com que respiremos e esqueçamos que vivemos exaustos, correndo e dopados.
Me lembro de Theodor Adorno quando se perguntava se existiria poesia após Auschwitz. Depois da tragédia. Depois do progresso. Depois da terra arrasada. Depois do capitalismo tardio. Depois do fracasso do iluminismo. Não sei se há poesia após Auschwitz, nem narrativa possível. Mas, me recordo do poema de W. G. Sebald, em que ele diz que o legado a ser deixado para as gerações vindouras é que possamos aprender a dançar no escuro. Não aprendemos: seguimos chutando as canelas uns dos outros em silêncios incompreensíveis e gritos excludentes.
No mais, se, como nos ensina Roberto Bolaño, em um milênio não restará nada do que se produziu neste século, para nosso assombro e in
diferença, penso que o texto de Schleiden é excelente companhia enquanto caminhamos em direção à obsolescência inescapável. Uma boa narrativa para se ter nos bolsos enquanto vemos o réquiem de uma terra malsã. O que quero dizer é que a vida é de um horror insondável e essa prosa nos leva a lembrar dos Buendía e suas jornadas obsoletas. Os borroanenses me lembram de como Aureliano Buendía ficou atônito ao conhecer o gelo e me fazem esquecer que tudo está marchando e voltando à esgarçada solidão cósmica, como diz Victor Heringer.
No mais, a máxima dessa produção pode ser resumida pela seguinte frase: Macondo é aqui!
Que a exemplo de lá, passemos a morrer de mortes mais bonitas do que as que já temos nas terras moribundas daqui.


Pedro Henrique Alberton Perússolo
Psicoterapeuta, supervisor clínico, escritor e tradutor

_outras informações

isbn: 978-85-7105-274-1
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 132 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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