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Meia-bomba

Disponibilidade: Brasil

(…) Por favor, fique à vontade, diz a editora enquanto segura a porta da limusine para você, que, antes de entrar, repara nas longas laterais do carro, no anúncio da pré-venda de um box com toda a sua obra, os seus três romances, inclusive o que há pouco escolheu a capa. Quando chegam na livraria, o box já está à venda, e espera por você uma fila que dá a volta em todo o quarteirão, diante de uma mesa vazia, com sabe-se lá quantos exemplares empilhados, e quem diabos é Clarice Lispector, José Saramago, Elena Ferrante, Colleen Hoover perto de você, que acaba de assinar o milésimo autógrafo do dia? (…)

 

A pré-venda vai até 02/04/2026. Os livros serão enviados posteriormente à data. 

O preço original era: R$54,00.O preço atual é: R$48,60.

_sobre este livro

Alguém poderia dizer que os oito contos com que Rosa Beltrão nos captura em Meia-bomba formam o retrato de uma geração — a sua. De fato, personagens do livro giram em torno de sua idade (ela é de 1997), pertencem mais ou menos à mesma classe social e transitam pela zona sul do Rio de Janeiro, onde cresceu. E é implacável o tratamento que a autora dá aos temas ostensivos que frequenta: sexo, violência de gênero, redes sociais, solidão, consumismo, megalomania. Engana-se, porém, quem supuser que vai ouvir aqui mais uma voz no coro contemporâneo dos animados em julgar, diagnosticar, ensinar. A escrita de Rosa Beltrão é implacável em sentido contrário: não se atenua nem se pacifica em qualquer forma de lucidez final. Se os contos focalizam um modo particular de existir, não o fazem para corrigi-lo ou para dar à própria miséria tintas heroicas. Focalizam-no apenas e, ao fazê-lo, revelam, em meio a comportamentos tediosa ou furiosamente repetidos, espessuras inesperadas, brechas (e horrores) insuspeitos, sutis comoções. As frases se movem sobretudo pela via do riso. O sobe e desce “meia-bomba” das expectativas frustradas de satisfação, que a autora encena com violenta minúcia, provoca-nos aquele tipo de riso que Virginia Woolf um dia atribuiu às mulheres e às crianças: um riso alheio à ironia sábia, mais feito de dentes do que de noções, que atrai e aterroriza ao nos devolver, sem moral, a nossa sempre inexplicável e patética condição. Tingidos desse humor a um tempo empático e cruel, os contos entrechocam as velocidades e temperaturas da perturbada vida interior das personagens com as de seu entorno — uma praia cheia, uma rua movimentada, um bar em dia de final de campeonato; por toda parte, telas. Afeita a esse atrito constante entre dentro e fora, Rosa experimenta diferentes modos de composição narrativa. Efeitos admiráveis aparecem, por exemplo, na construção de diálogos vivamente orais, que se infiltram nos fluxos narrativos sem interrompê-los ou que, como em “As trigêmeas”, distribuem as vozes de modo ambíguo; no deslizamento sutil entre pontos de vista, notável em “0x0”, onde a perspectiva muda como a bola que passa de pé em pé numa partida de futebol; no uso expressivo da pontuação, que em “Caixas de acrílico” quase desaparece, como se não sobrevivesse à ansiedade da protagonista, uma consumista compulsiva; e na fabulosa construção em bloco da vertigem onírica de uma jovem escritora em “E o seu?”. Quanto à jovem escritora que assina este livro: atenção.

 

Helena Franco Martins

Doutora em Linguística pela UFRJ, professora no Departamento de Letras da PUC-Rio

_outras informações

isbn: 978-85-7105-436-3
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 156 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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