Dois embaixo, dois em cima

Disponibilidade: Brasil

A família só soube do namoro quando já havia acabado. Ela temia os pitacos alheios que pudessem atrapalhar a nossa história. Nesse período, sonhava com frequência que a mãe tentava matá-la, e, nos próprios sonhos, o pai não se dispunha a defendê-la. Se nem ali encontrava proteção, por que, na vida real, o namoradinho não poderia, de vez em quando, sentar-lhe a mão?
[…]
Quando eu tinha por volta dos onze anos, encontrei um vídeo na internet e a atriz me lembrou Cláudia. Fiz questão de mostrar para Rute, e ela terminou comigo pela quarta vez. Os colegas de turma brincavam que o nosso namoro parecia um iô-iô. No total, foram treze ultimatos. Por consequência, doze chances. Bastava a promessa de que eu mudaria.

R$58,00

_sobre este livro

A entrada na vida adulta é uma etapa marcante. Permeada por descobertas, desilusões, dores e alegrias. É nesse espaço de circunscrição temporal que se definem aspectos determinantes do que entendemos como “maturidade”. Embora essa percepção seja sentida de forma variada, ela não pode deixar de ser notada, e o registro dessas passagens tornou-se cada vez mais recorrente na literatura, principalmente a partir da Modernidade. Essa etapa é também uma chave temporal que liga a infância, a adolescência e a velhice. Nesse romance, as percepções do narrador nos inserem radicalmente nesse processo, delineando vidas cujas aspirações vamos descobrindo paulatinamente em um misto de espanto, empatia e autoidentificação. O que torna esse relato peculiar, de algum modo, é que o narrador, ao fazê-lo, não vai se apropriar das vidas que narra, mas, ao contrário, ao tocá-las, opera no sentido de extrair delas toda a crueza, as pequenas glórias, o jorro da própria voltagem da vida. De uma perspectiva privilegiada, recupera caracteres e ações de maneira atenta e rascante. Talvez nisso resida a relevância desse relato. Na dosagem justa desse procedimento, de alguém que, ao falar de si e dos outros, torna-se capaz de se apoderar magistralmente das minúcias descortinadas nesse trânsito. Qual seria então a probabilidade de numa rua estreita do Jardim Botânico, distraída com a nossa própria existência, toparmos com personagens que já cansamos de ver, mas que nunca olhamos direito? É nessa segunda mirada que nós leitores atamos as pontas de temporalidades quase sempre diversas, em intenso contato com a vertigem ao mesmo tempo obscura e sem reservas do contemporâneo. É como se pudéssemos olhar pela primeira vez, e o que vemos não é necessariamente bom ou mau, e só o tempo e sua implacável operação nos fará decidir.

Flávia Vieira dos Santos

Doutora em Estudos de Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (puc-Rio), docente de Letras da mesma universidade.

_outras informações

isbn: 978-85-7105-351-9
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 216 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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