Banana, etamine, Hello Kitty, Rei do Gado. Medo, peito, sangue, leoa. Essas palavras e outras compõem, neste livro, uma coleção de sensações viscerais e cotidianas descritas por uma mãe criança, ao longo de seus dez anos de contato com o outro-si.
A leitura de Azul-bebê nos leva para dentro da casa de Mariana e sua família — a recém-nascida, mas também a pregressa, onde ela uma vez foi o bebê — e nos permite sentir como se estivéssemos ao lado da mãe, aprendendo, trocando, errando, criando.
Amando. O amor, em cada um destes vinte textos, aparece com uma cara diferente, às vezes a cara do encantamento, às vezes a do cansaço. Chega mesmo a ter a cara da raiva — amor é fogo, afinal. E neste livro ele arde bem. Arde como um fio vermelho num mar de azul-bebê, uma agulha perfurando um tecido por onde deixa um caminho de memória, origem. Uma avó empresta o fio do sangue, e com ele se borda o futuro, dia a dia.
O arrebatamento é certo. Nestes relatos cheios de intimidade, a mulher esposa filha amiga revisora doutora autora mostra como nasceu mãe a partir de um exame de laboratório. Junto com ela, dois seres novos no mundo. São pessoas também, como eu e você. A mãe se apresenta aos filhos. Eles estão se conhecendo.
Licia Matos