“Isso na contracapa é bem vago, né?”, questiona uma voz. Daí uns coadjuvantes inadvertidamente selecionados, por tirania narrativa, são lançados a tentar algo expor sobre o que algum incauto leitor tenha agora em mãos.
À silenciosa iminência do fim do mundo, um também silente Vô Cedro encara, furtivamente, um sr. Arnaldo e um aglomerado de lagartas, cada qual com seus ardis, sem noção da existência, num supermercado alhures, dum pretenso assassino e sua ora vítima.
Certo é que esses aí acima produzem sombras, as quais ignoram a paixonite de duas comparsas suas, mas não a situação do sr. Charuterson, que, moderado, tenta dissuadir um seu amigo de diabruras de exponenciais ramificações.
Gotas de chuva a decompor a luz formando agradável matinovisão sorvem, sem órgãos e estrutura para tanto, o cheiro do sabor adulterado do bolo duma confeitaria às proximidades donde uma lâmina foi empunhada com curioso intento — talvez esta lâmina tivesse algo a dizer, se questionada e se dotada de pensamento e fala, mas não o saberemos.
Saberemos, sim, que a sra. Anselma, perdão, Anstelfa, é secretamente Juca Lampolimpo, que, por sua matreirice, será veiculado sem trato formal. Outra secreta informação é a de que só a casta das formigas dum longo fiar, de ficção outra, não aderiu a uma peculiar movimentação a aqui se ver.
Imóvel por si só, um bujão alegra-se do passeio ao qual levado por quem o furtou, sujeito que pode ou não ser vizinho dum mala inconveniente numa festa algumas léguas distante duma laranjeira e dum fatiador de queijo abandonado numa pia – e a triangulação desses dados, cuja feira temporal é a quarta, levar-nos-á a um mantenedor oculto da harmonia universal conhecido apenas por “Zé”, que, em razão da função, deve garantir que uns neurônios suplicantes pelo sono continuem a sê-lo até o remate da consciência à qual acoplados, enquanto uma sinistra e seleta corja maquina seus malfeitos, entre os quais um vento sorrateiro e uma pedra atirada num banheiro, talvez via um conveniente túnel, que também levaria, quiçá, a uma ninhada de felinos recém-orfanados, que poderiam, nesta digressão, ser acolhidos por um fotógrafo com uma câmera especialmente desenhada a seus nefandos objetivos.
E aí nos deparamos com a iminência de outro fim do mundo, ou a iminência de fim de outro mundo, ou outra iminência de fim do mundo, que talvez seja a mesma iminência de fim do mundo, só que de chapéu e bigode. Quem terá protopensado estes disparates, um homem ou um cão? Tentemos descobri-lo.