Porque justo agora

Disponibilidade: Brasil

meu exílio não tem nome
não é fora, não é dentro
meu exílio é eu que invento
está no meio do mundo
abrindo o mundo ao meio
exílio é força da arte
não pede fidelidade
não aceita seguidores
só partilha, só reparte

R$52,00

_sobre este livro

ANA E SEUS INFINITOS AGORAS

Evocar! Palavra que etimologicamente também remete a um símbolo concreto, que sai de si mesmo e que chama a voz por si própria! Evocar também (in)voca, (pro)voca, pede uma voz que diga, ressoe, cante (?) um verso escrito, grafado, e que segue mesmo assim sendo dito!

E por que esta evocação a respeito de um livro de poemas? Te explico já!

Sempre que eu leio os textos-versos da Ana Helena Amarante alguma coisa acontece na minha emoção: a palavra me pede, me solicita o som, a voz, a fala, e vale dizer, o canto.

Uma pequena história…

Conheci a Ana poeta depois de sentir e ouvir que por dentro dos versos dela, ressoam canções. Sim, a cancionista chegou antes da poeta! Se tu não sabes, quero te contar: esta moça poeta também tem o dom de criar letras e melodias, ou seja, canções, sem lançar mão de qualquer instrumento!

Sim, ela ressoa nas palavras as emoções do canto em formas entoativas, e este seu trejeito peculiar, ressoa nos seus versos, mesmo não sendo canções!

Tu não crês? Então vamos lá:

(…)“Porque justo agora a fila/ justo agora vi quem não queria/ justo agora a vontade de mar/ uma alegria/ porque justo agora”(…)

Agora, experimenta entoar em voz semi-alta, estes mesmo versos…

Dá pra sentir uma melodia e um ritmo vindo juntos né? E mesmo assim, continua sendo poesia, mesmo soando canção!

Tem outro agora mais ali adiante:

“Onde é que era o hoje?/  o ponto/ a incisão/ o corte/ o pingo/ a marcação/ a mira/ o alvo/ o x da questão/ encontro de paralelas/ o ali ” (…)

 É como se ao ressoar estes grafismos rimados, essa poeta e querida amiga estivesse também se perguntando: “O que eu faço agora quando a vida me oferta essa variedade de tantos agoras? Agrupo eles todos? Simplesmente convivo com eles? Ou faço poesia tentando senti-los?”

E do nada, ela brinca com o som em duplo sentido, e nada!

(…)“Poesia pra quê? Pra nada  r”

E tem também uma coisa doida de se ler-ouvir: a polifonia! Poli(várias) fonia(vozes):

 “Como controlar o que em mim desatina [pode ser pergunta ou afirmação, entoa e descobre aí!] Gênero, raça, etnia, perfil, valor de mercado…” [dizem as outras vozes] E por aí ela segue…

Diz o filósofo italiano, Giorgio Agambem: “Vocativo é o que chama. Com o vocativo, nos dirigimos a quem amamos ou odiamos, com o vocativo invocamos, rezamos e blasfemamos, cumprimentamos, nos despedimos, exaltamos e lamentamos. Com o vocativo iniciamos cartas, mensagens, acariciamos animais e crianças”

Sim, a voz chega antes da escrita, reocupa o seu lugar de fala, quando nos pede para entoarmos, ainda que isolados, mergulhados nas palavras que nos solicitam serem sons! E muito sentidos brotam nesse sentir, e Ana faz isso o tempo todo, seja com poesia, seja com a canção, e de forma lindamente espontânea!

Nela o Amar ante o mar se faz Helena, nas ramas do tempo, faíscas, pedaços, estilhaços e fragmentos.

De fato, Ana, tinha que ser agora, justo agora!

Felipe Azevedo

(Compositor e Ensinador)

Outubro de 2025

_outras informações

isbn: 978-85-7105-391-5
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 96 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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