Entre o instante e o infinito, entre o primeiro suspiro e o último silêncio, estes poemas percorrem o território frágil e luminoso da existência, com palavras que emergem como espelhos da impermanência, onde o tempo, a memória e a ausência se entrelaçam em um diálogo constante com o efêmero. Há, neste livro, o desejo de compreender o que permanece quando tudo se desfaz, o que ainda brilha mesmo sob o peso do fim, mesmo que não haja um fim.
Os versos transitam entre a filosofia e a melancolia, entre o humano e o abismo, na obra a voz poética reflete sobre as contradições da vida, a vaidade, o medo, a ilusão, o anseio pela eternidade, e revela que a beleza pode residir justamente naquilo que está condenado a desaparecer, os poemas assumem um tom de ficção e solidão cósmica: uma humanidade extinta, um homem que resiste apenas por hábito, um grito que ecoa em um mundo vazio, o pungente e o dramático.
A escrita deste livro é contemplativa e inquieta, e de poema em poema, somos convidados a verificar vestígios dos pensamentos diante da finitude, um retrato de um ser que se reconhece transitório, mas ainda assim busca sentido. A linguagem, ora minimalista, ora densa, convida o leitor a um mergulho silencioso, um encontro com a própria vulnerabilidade, com a sombra e a centelha do que somos.
E, por fim, resta a pergunta que atravessa todos os versos: o que é ser humano quando tudo se apaga? A resposta talvez esteja na própria poesia, no gesto de nomear o que morre, de amar o que passa, de encontrar, finalmente, a beleza de existir, mesmo que no fim, na verdade, tudo irá se consumir.
Adelina Lazzarotto Rockembaker