Um selvagem, coração: poemas e máquinas

Disponibilidade: Brasil

a verdade
com todos os seus dentes caninos
limpíssimos, brancos, exemplares,
abocanha um pedaço do real
mastiga-o
deleite sem medida
engole, engole rápido antes que a vejam.

R$52,00

_sobre este livro

me falta imparcialidade e decoro para uma análise crítica aproximada do que foi cuspido por mim mesmo. não tenho nada além de amontados de palavras e post festum. se quiserem devorá-las como costumam um hambúrguer ultraprocessado nas fábricas do palhaço ou discuti-las em grupelhos de criativos degustando um idealismo abstrato, fiquem à vontade. o melhor jeito de entender uma máquina é apertando seus botões, deslocando suas manivelas,  pensando o som metálico que urra do atrito entre o desgaste e a metonímia. os poemas são poemas e foram escritos durante três meses, ínicio de outubro ao final de dezembro de dois mil e vinte e quatro. uma máquina, para Deleuze e Guattari, se define como um sistema de cortes. Não se trata de modo algum do corte considerado como separação da realidade; os cortes operam em dimensões variáveis segundo a característica considerada. Toda máquina está, em primeiro lugar, em relação com um fluxo material contínuo (hylê) que ela corta.

acredito que não existem definições melhores do que a ruptura e a totalidade para representar o movimento dialético e concreto da reprodução criadora — não confundam com o conceito liberaloide de criatividade. não há nenhuma propriedade no pensamento, não há, aliás, propriedade alguma em qualquer coisa e por isso somos selvagens ao contrário dos beatos e civilizados portugueses, franceses, ingleses, que nos trouxeram o progresso e as máquinas de fazer máquinas nesta terra antes abençoada por deus. somos os filhos da invasão e expansionismo do capital. somos os filhos da revolta ascentral e originária dos povos. somos filhos dos acorrentados pela máquina de fazer açúcar. somos filhos da América Latina. é preciso, portanto, comer o coração de Rousseau e mostrar-lhe o bom selvagem.

_outras informações

isbn: 978-85-7105-333-5
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 124 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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