Do bicho à milícia

Disponibilidade: Brasil

“… no decorrer da década de 1890, as elites, nauseadas pela relação das classes baixas com a jogatina, pressionam o poder público por uma repressão ao jogo do bicho. Se as corridas de cavalos e cassinos eram tolerados por representar o entretenimento de burgueses, o jogo do bicho deveria ser enterrado vivo, pois o rosto do jogador médio era preto, pardo, e sua diversão significava um alívio das tensões cotidianas. Reconhecer no outro uma humanidade que divide o mesmo gozo pelo jogo é, de certa forma, reconhecer o fim da escravidão e, portanto, do acúmulo de riquezas ao mais baixo custo possível. Sem essa possibilidade, as elites optam por destruir qualquer noção básica de qualidade de vida, afinal, se o fim da escravatura é um marco em qualquer país com passado colonial, imagine no Brasil, país para o qual mais se traficava escravos.”

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_sobre este livro

Muito se fala da ligação entre o jogo do bicho e as milícias; provar essa ligação é que é difícil. Esta obra foi construída como uma pesquisa de mestrado, uma dissertação que buscava sintetizar de forma científica aquilo que fica na boca do povo, que é pincelado nos jornais e que é provocado pela ficção: a conexão bicho-milícia é real e com raízes profundas na virada do século, ou seja, na própria gênese do que temos hoje por milícias.

O trabalho partiu de uma vasta documentação levantada ao longo de três anos de investigações jornalísticas e sociológicas, que tinham por objetivo a tentativa de comprovação de nexo causal entre as ações dos líderes da família Andrade, tida até hoje como um dos pilares da contravenção fluminense, e a formação desses agrupamentos criminosos de agentes de segurança pública. O ato criminoso e o próprio ato de criminar uma relação social são, em última instância, enraizados e circunscritos num território, e é isso que os documentos penais, de forma indireta, acabam por mostrar. A ligação entre essas redes criminais se dá a partir do território.

O chão em que pisamos é o lugar de disputa e motivo de coalizão de forças.

Esta é uma obra que se esforça em mostrar de forma sistemática como funcionam duas formas de redes criminais determinantes para o território fluminense e quais as convergências e divergências históricas entre elas.

_outras informações

isbn: 978-65-87814-41-4
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 15,5x21cm
páginas: 56 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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