Estilingue a dois

Disponibilidade: Brasil

Nos doze contos de Estilingue a dois, Rogério A. Tancredo aborda temas como amizade, violência, loucura e solidão, a partir de cenas da infância – seguindo o rastro de grandes escritores – para reafirmar, por meio da ficção, que o peso da existência não é exclusividade dos adultos, mas um fardo que afeta também crianças, protagonistas dessas histórias. Tudo fere. Ninguém está livre da fúria e da alegria de existir.

 

R$52,00

_sobre este livro

Os ritos de passagem ou o mundo dos adultos contemplado como um lugar de exílio. A própria infância é evocada como um paraíso perdido, dotada de uma mitologia inconfundível e de um cenário muito concreto (seja no norte ou no sul do Brasil). Rogério constrói um mundo narrativo extraordinariamente convincente, dotado de humor sutil e lirismo seco e intenso. E consegue isso graças a uma qualidade que irradia tanto estilística quanto moralmente: a autenticidade. Que se estabelece em um território intermediário entre uma coleção de contos, crônicas ou um volume de memórias. As cenas da infância e personagens juvenis que já aparecem no seu primeiro livro, “Relato de um paciente desconhecido” (sobretudo em “O rádio de Bento” e a “História de Alice e Ravel”) estão de volta: garotos que trocam impressões e imaginações no pátio da escola ou o enorme filho do borracheiro (condutor de violências corriqueiras) ou o primo iluminado que é abraçado pelas sombras… Uma relação pai e filha posta à prova ou vidas que se assemelham ao do urso polar (animal mais solitário do planeta) ou a psicopatia de uma jovem que ameaça o sossego de um condomínio… Seja um irmão caçula que sente o peso da existência ou a morte de uma jovem que muda a vida de um professor numa pequena cidade do sul do país… As reminiscências de um homem ao voltar ao bairro onde passou a infância ou mesmo lecionar em uma comunidade de alta vulnerabilidade social (“com crianças que iam para a escola com a mesma roupa todos os dias, tomavam mais surras do que banhos durante o mês”) ou o destino da garota mais bonita do bairro ou um incidente com um estilingue… Tudo é muito nítido, vivo. Algumas narrativas podem lembrar tanto “Os lemmings e outros” do Fabián Casas quanto “Meus documentos” do Alejandro Zambra, mas sempre com o gosto amargo da brasilidade (onde o sonho é sempre sombra). Há também uma oscilação na escrita, uma maneira subversiva de abordar o ponto crucial da história e de desviá-la (a digressão como método, ecos de Bolaño?) que permite que a força seja mantida até o fim. Ou seja: o texto é ativado. Todos os seus atributos estão prontos para detonar. Bum.

Carlos Henrique Schroeder

_outras informações

isbn: 978-85-7105-204-8
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 104 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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