Anízio Vianna quer escrever com a voz e para a voz, soprar essa nuvem de sons por todos os lados, sem outro rumouvido certo além do pleno anonimato. Curiosamente, essa condição escorregadia, também flutuante, e, no limite, deitada no anonimato, o que os poetas sempre souberam sentir: todo amor é amor a nada.
Anelito de Oliveira
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_sobre este livro
A irregularidade é o traço fundamental do gesto poético de Anízio Vianna, subidas aos céus e descidas ao brejo, caronas em disco voador, nados em piscina e descanso em calçadas sujas. Nada parece lhe causar tanto desagrado como a linha reta, o passo ensaiado, direções diretas que desembocam em lugares previsíveis. Isto é ele, isto parece ser ele, isto não é ele: respectivamente, se pensamos na vida, se pensamos na condição ficcional/fingida do poeta, se pensamos somente no texto. Este rol de possibilidades nos assalta no primeiro contato com o trabalho de Vianna e ficamos, automaticamente, desemparados, sem saber onde ancorar essa voz, a quem atribuir sua irregularidade. Prefiro pensar que essa irregularidade é do texto, mas um texto “partidarista”, que toma o partido do poeta, um poeta, por sua vez, comprometido com o lugar do Poeta, disposto a falar a partir desse lugar. Daí é que se torna possível dizer que a irregularidade do texto descende da irregularidade do poeta, este é que é o grande irregular, que não suporta nenhuma regularidade, a começar por aquela de escrever com o papel e para o papel. Anízio Vianna quer escrever com a voz e para a voz, soprar essa nuvem de sons por todos os lados, sem outro rumouvido certo além do pleno anonimato. Curiosamente, essa condição escorregadia, também flutuante, e, no limite, deitada no anonimato, o que os poetas sempre souberam sentir: todo amor é amor a nada.
Anelito de Oliveira
_outras informações
isbn: 978-65-5900-982-4
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 112 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª