Vala comum

Disponibilidade: Brasil

refluxo de consciência: às vezes visagens violentas ouço vir lá do fundo, numa noite literal, o precisado buscar dentro, longe de ninguém, e o molde idêntico fazendo a diferença. algo rosna intacto: ovo-cacto em fome de mofo prenunciada.

R$49,90

_sobre este livro

Fluxo poético. Jogo poético. Vala comum é o mais recente livro de Ricardo Pedrosa Alves, que parece escavar no fluxo da linguagem, exatamente, uma vala. Cavado no solo da página em branco — nunca realmente branca, pois como se estabelecem diálogos com outros autores, inclusive de certa tradição —, o fosso (ou a vala) funciona, ao mesmo tempo, como espaço para o escoamento desse fluxo (“eu quero que leiam um chão e como afundei nele, querendo que afundem comigo”), mas também como espaço de instalação: “ir abrindo parênteses para que não se fechem, apenas o gesto inaugural importa, isso me permite iniciar muitos trajetos”. É o que se lê numa das últimas páginas.

Vala comum, como outros livros de Ricardo Pedrosa Alves, experimenta a forma e a linguagem, traço distintivo deste laboratório poético, “um poema são todas as palavras juntas onde lemos um corpo que nos lê”. Corpo, corpos diferentes colocados lado a lado, que demandam por uma construção. Um gesto no poético, do poético que coloca em cena o “fazer poesia”. Um gesto para o outro, que exige esse outro (“é preciso haver alguém ali”), um movimento de letras e espaços no qual “a poesia, se vier, virá na sequência, enigmática”. Talvez um voo proposto/exposto, oferecido ao leitor?

Trazer para o primeiro plano a distorção e o “fazer caleidoscópio” parecem ser, aqui, uma possibilidade de lidar com o real, uma vertigem necessária quando se está diante da “urdidura do estar no mundo”, ou ainda quando a tentativa de centrar essa trama só pode se realizar de forma descentrada, uma vez que, seguindo os passos de Lacan, o real “não cessa de se inscrever”. E esse não cessar chega em Vala comum pela via da própria performance dos poemas. Um livro que não deixa de lado a esfera do político, questões urgentes de nossa contemporaneidade acompanham o ritmo de sobressaltos, onde o(s) rasgo(s), que pode(m) lembrar os de Lucio Fontana na pintura, se apresenta(m) como elemento constitutivo do poema. A língua poética de Ricardo Pedrosa Alves enfrenta a palavra, lançando uma sonda na vala vertiginosa da linguagem e da vida: “ouviram o chamado do fundo? ninguém pode dizer, sequer o espelho inventor. melhor ser fungo, acaso mucosa // amor acaso, amor corpo, memória amor, amor doença”.

Patricia Peterle (UFSC)

_outras informações

isbn: 978-65-5900-939-8
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 76 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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