Minha rua parecia estrada:
Excesso de lama, buracos,
Nenhuma calçada.
Número sem história é o mais celebrado que se conte:
Entre os dentes, minhas janelas conhecem melhor a dureza
do chão,
Em vez da transparência do horizonte.
R$54,00
_sobre este livro
Em tempos em que petroleiros são saqueados em alto-mar pelo maior império da Terra, e palestinos são impedidos de acessar o mar pelo sionismo israelense, a poesia — por vezes tão frágil — nos lembra que o mar também é vínculo e origem. Afinal, “a vida começou no mar”, como canta Paulinho da Viola em “Prisma luminoso”. Em Tudo que eu bebi de um quase mar, Rafael Antunes articula seu conhecimento do mundo em linguagem poética, quase sempre passando uma rasteira em quem lê. Seus jogos de palavras captam as grandes miudezas da vida e as combinam com a experiência de estar vivo em um tempo profundamente dilacerado.
Os poemas não se oferecem como revelação imediata; antes, driblam os sentidos — como as jogadas de Dener — produzindo sinestesias. Entre pausas, quebras e lances inesperados, a leitura se constrói como travessia: um mar instável, mas vivo, onde as palavras surgem com a liberdade das invenções feitas pelas bocas das crianças.
Longe de qualquer simplificação, a escrita afirma escolhas claras. O poeta sabe o que busca e também o que recusa: “fujo de quem anda facilitando as coisas quando apanha”. Entre as porradas da vida, Rafael Antunes articula dor, solidão e pequenas alegrias sem abdicar do rigor, do risco e da invenção.
Thiago Cervan
Escritor
_outras informações
isbn: 978-85-7105-477-6
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 112 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª