Tentando entardecer em noites de trovões

Disponibilidade: Brasil

Um livro de poemas há de ser um ninho de abismos: uns que acolhem, outros que devoram; também teia em que colidem ideias e paisagens, deuses e tentações e ainda a mistura de levezas insustentáveis com a brutalidade narcísica dos seres antiamorosos. E tudo a girar no espelho dos olhos e do mundo: seja noite, seja tarde, seja nunca, seja sempre. Tentando entardecer em noite de trovões é isso e mais algumas pitadas de amor, morte e lindas distopias.

R$58,00

_sobre este livro

Escrever para livrar-se de um inferno ilusório erguido no concreto das cidades que nos oprimem. Escrever como quem se move para fora do espaço e do tempo, enquanto caminha por entre carros, clientes, semáforos, buzinas, e anúncios brilhantes de produtos inúteis. Escrever como se buscasse enxertar na solidão a liberdade que deixa de fora toda saudade, e por dentro, as possibilidades que o mundo ainda esconde. Escrever como quem silencia o próprio Deus e todas as angústias sagradas, com uma frase simples sobre uma pessoa distraída num dia qualquer. Escrever como quem vê nos próprios devaneios a linguagem que a vida escolheu para se traduzir.

Assim, o amigo e escritor, Marconi Fonseca, parece viver, para quem se aproxima dele, seja por texto, seja pessoalmente; como se escrever fosse sua única saída. A obsessão pelas palavras está em cada gesto, observação, recorte, que Marconi faça. O homem que anda pelas ruas com um livro aberto entre as mãos, o funcionário que se refugia, depois de um dia exaustivo de trabalho numa agencia bancária, num quartinho minúsculo abarrotado de livros, o pai que cobre a família de livros, discos e shows, o declamador tímido e feroz que por vezes sobe aos palcos, tudo nele deságua em palavras.

Esse sacerdócio à literatura culmina aqui, nestes poemas, intitulados Tentando entardecer em noite de trovões, seu mais recente livro, onde Marconi, mais uma vez, escancara seu espírito, carregado de simbolismos, e nos permite acessar o pensamento do homem moderno. O medo da mediocridade contraposto ao peso da loucura, a raiva dos mecanismos industriais contraposta aos arroubos diante da beleza da força da vida, o amor próprio sendo construído à medida que as paixões se afastam. Verso a verso, Marconi responde às questões mais básicas e profundas da vida, caminhando lentamente entre elas, como se elas não fossem monstros, mas monumentos erguidos por nossas distrações.

“ver o odor do medo,

crer nas crenças incertas,

secar os olhos com vinho e visões ambíguas,

beber das bocas inimigas, vestir-se com a nudez

                             (quente)

das coisas vivas”

Logo nos primeiros versos, ele abraça as incertezas, e as festeja com seus inimigos, clamando por uma vida além das aparências, quente, embriagada, ambígua. E, como quem costura com os próprios passos os caminhos do mundo, ele vai trançando com suas imagens, quadro a quadro, os labirintos por onde temos vagado à procura de nós mesmos.

 

Juliano Gauche

 

_outras informações

isbn: 978-85-7105-556-8
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 148 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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