Surpresas são bem mais comuns que o tédio

Disponibilidade: Brasil

e eu
que não ando muito normal
acabei gostando
desse tal de urutau

R$52,00

_sobre este livro

COMO NÃO AMAR(ELA)?

Que surpresa boa, e que sorte, encontrar a poesia humorada e madura de Vivi Rocha!

Surpresas são bem mais comuns que o tédio não poderia ser um título mais apropriado para este essencial livro de poemas. A poesia de Vivi fala da essência de poeta-pessoa, a que explicita a urgência de dizer e nos põe em contato direto — quase corpóreo — com a essência de pessoa, a se espraiar para todas as pessoas, a se reconhecerem em subjetividades e sentimentos.

A poesia de Vivi tem vários estratos. Visito uma artista-poeta, culta, autêntica, e isso faz a poesia dela saborosa para vários paladares. Ela provoca, em versos, leitores e leitoras a sentir e refletir sobre a humanidade, a partir de sua existência.

Os poemas se apresentam para nós, lindamente organizados, em oito capítulos. Nestes capítulos, a poeta fala de sentimentos íntimos, intrínsecos, e, também, de cenas por ela vividas. Mas tanto esses sentimentos como as cenas parecem nossos, nos apropriamos deles espontaneamente, pela qualidade da poesia e pela intensidade dos temas.

Os nomes dos capítulos, todos escandalosamente sobre o ato de amar, amalgamados, me permitem visualizar um novo poema de Vivi, a parte:

“moças urbanas míopes

surpresas são bem mais comuns que o tédio

justo agora,

cair em si

essa mania irritante de escrever em rima

nenhum ruído silencia

escafandrista num mundo de espelhos d’água

minha cama é uma ilha deserta”

“Surpresas” é para brincar e ficar na cabeceira, um livro para ser visitado e revisitado como um amigo e surpreender a cada vez que lido.

Escolher apenas um poema para exemplificar a força e as características da poética de Vivi é tarefa dificílima, mas o poema Amarela tem esse dom:

“amarela

nunca me vi assim

a cor do sol não está na minha pele

nunca esteve a cor da minha pele

talvez não reflita a minha origem

não escolhi o rótulo mas entendo a luta

e de tanto entender que não era branca

fui me amarelando

a pouco e pouco

tal como as folhas amadurecem

e caem em si

amarela

sou

por raiz

por história

por maturidade

por entender

que tenho que ocupar um lugar

que é só meu

amarela”

E finalizo a sentir: me torno amarela por esses versos, sou amarela, geral é amarela.  Afinal o sol amarelo brilha, tal a poesia da Vivi.

Aproveitemos, pois, as inevitáveis surpresas em cada deliciosa visita ao precioso mosaico de versos de Vivi Rocha, fragmentos a serem sempre renovados. E viva a poesia de Vivi que nos permite voar além!

Beatriz Di Giorgi

_outras informações

isbn: 978-85-7105-256-7
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 104 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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