Sentenças para romper barragens

Disponibilidade: Brasil

Quais barragens erguemos na tentativa de atravessar o inexorável e os tantos desterros da vida? Quais fluxos e sensibilidades represamos quando forjamos contenções para sobreviver ou para silenciar o mal-estar? Este livro reúne textos-rachadura: uma sucessão de experimentos poéticos concebidos como escritas que vazam, que atravessam, que se insinuam pelas fissuras. Escritas-passagem, escritas-fenda, para vingar aquilo que precisa fluir e seguir pulsando. Narrativas que se movem para reabrir comportas vitais, este é um convite à escuta do que pede deságue para que outra/o/e(s) possa(m) nascer.

R$68,00

_sobre este livro

Lábios que crescem nas mãos. Dias que nos grudam à terra. “O cheiro de morte ali do lado”. Enquanto leio Sentenças para romper barragens, é como se me sentasse em meio a uma clareira, envolta na atmosfera dos elementos naturais. Me sinto tomando sereno enquanto leio. Há fumaça de cigarro e tudo se propõe seco, mas, sabemos desde o título: não é. Tudo é provisório — e logo tudo inunda.

Quando leio este livro, entendo que ele é uma espécie de manifesto, recortado em trechos que se complementam. É um feitiço, feito “com febre de lua minguante, no continente da infestação”. Um banzeiro a ser atravessado, não sem medo. Somos levadas pelas ondas de sal, entre silêncio e invenção, até o momento em que paramos, mergulhadas, e perguntamos: houve mesmo, em qualquer momento, uma barragem? Ou há antes um convite?

O que compreendemos certo é que há, entre fragmentos, um tanto de água, e também de sonho, e de sexo. Bruna Reis escreve sobre o amor e seus derrames, sobre a solidão e o desejo. Há também, e principalmente, bichos que sabem a importância da morte. Cavalos, cegonhas, onças e grilos — malditos, violentos, berram. São bichos-representantes de nós, quando não encontramos palavra certa.

Nos escritos, quer dizer, quando escreve, Bruna parece desejar ter uma baleia dilacerada vivendo dentro de si mesma. Ela escreve sentindo, com a destreza (ou a trapaça) de quem sabe que, na maior parte das vezes, estar próximo do amor é estar próximo do chão. Caímos junto, nós, leitoras, com a voz poética de Bruna e suas paixões. Estamos todas, agora, olhando o mesmo céu: “veias cobertas de água”, suturadas por cada palavra.

Gabriela Soutello

Escritora e jornalista

_outras informações

isbn: 978-85-7105-526-1
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 172 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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