Daquela caixa não emerge um diário, mas uma cidade, uma cidade em seu tempo, com suas pessoas e ruas, suas horas — as minhas preferidas sempre foram as da tardinha — e nela nada se modificou, foi congelado, da mesma forma que o rosto das namoradas que nunca mais vimos, e que nos recusamos a reconhecer se por acaso as encontramos. Ela, a cidade, cabe naquelas páginas, por isso é melhor deixar como está, para não ter o risco de saber que as pessoas e ruas se transformaram ou, pior, deixaram de existir.