Páginas quase em branco

Disponibilidade: Brasil

Uma linha distingue o que não é daquilo que, por questão de espaço, esforço ou ensejo, poderia ser ou ter sido. Em linha outra, os caracteres tentam provar a importância de cada ponto, aquém ou além da mera tinta na superfície do papel ou da tela, delineando trajetórias certas, incertas ou erradas, em busca de amor, de sossego, de tensão ou de um rumo qualquer, que, de preferência, não seja tão qualquer assim, em histórias não relacionadas — exceto por estarem encerradas entre dois potenciais fins do mundo.

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_sobre este livro

“Isso na contracapa é bem vago, né?”, questiona uma voz. Daí uns coadjuvantes inadvertidamente selecionados, por tirania narrativa, são lançados a tentar algo expor sobre o que algum incauto leitor tenha agora em mãos.

À silenciosa iminência do fim do mundo, um também silente Vô Cedro encara, furtivamente, um sr. Arnaldo e um aglomerado de lagartas, cada qual com seus ardis, sem noção da existência, num supermercado alhures, dum pretenso assassino e sua ora vítima.

Certo é que esses aí acima produzem sombras, as quais ignoram a paixonite de duas comparsas suas, mas não a situação do sr. Charuterson, que, moderado, tenta dissuadir um seu amigo de diabruras de exponenciais ramificações.

Gotas de chuva a decompor a luz formando agradável matinovisão sorvem, sem órgãos e estrutura para tanto, o cheiro do sabor adulterado do bolo duma confeitaria às proximidades donde uma lâmina foi empunhada com curioso intento — talvez esta lâmina tivesse algo a dizer, se questionada e se dotada de pensamento e fala, mas não o saberemos.

Saberemos, sim, que a sra. Anselma, perdão, Anstelfa, é secretamente Juca Lampolimpo, que, por sua matreirice, será veiculado sem trato formal. Outra secreta informação é a de que só a casta das formigas dum longo fiar, de ficção outra, não aderiu a uma peculiar movimentação a aqui se ver.

Imóvel por si só, um bujão alegra-se do passeio ao qual levado por quem o furtou, sujeito que pode ou não ser vizinho dum mala inconveniente numa festa algumas léguas distante duma laranjeira e dum fatiador de queijo abandonado numa pia – e a triangulação desses dados, cuja feira temporal é a quarta, levar-nos-á a um mantenedor oculto da harmonia universal conhecido apenas por “Zé”, que, em razão da função, deve garantir que uns neurônios suplicantes pelo sono continuem a sê-lo até o remate da consciência à qual acoplados, enquanto uma sinistra e seleta corja maquina seus malfeitos, entre os quais um vento sorrateiro e uma pedra atirada num banheiro, talvez via um conveniente túnel, que também levaria, quiçá, a uma ninhada de felinos recém-orfanados, que poderiam, nesta digressão, ser acolhidos por um fotógrafo com uma câmera especialmente desenhada a seus nefandos objetivos.

E aí nos deparamos com a iminência de outro fim do mundo, ou a iminência de fim de outro mundo, ou outra iminência de fim do mundo, que talvez seja a mesma iminência de fim do mundo, só que de chapéu e bigode. Quem terá protopensado estes disparates, um homem ou um cão? Tentemos descobri-lo.

_outras informações

isbn: 978-85-7105-490-5
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 212 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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