“Um dia estava na rua e acenaram-me.
E eu acenei de volta”
João Manuel Serra, O Senhor do Adeus
Há encontros que nascem de um aceno. Um gesto simples, quase invisível, que atravessa o para-brisas e toca alguém do outro lado. João Albano Fernandes constrói, neste romance vencedor do Prémio Montijo Jovem 2022, a história de um homem que, na solidão dos dias que lhe restam, descobre que dizer olá pode ser mais urgente do que qualquer despedida.
O velho do Saldanha não tem família, não tem pressa, não tem onde chegar. Tem dores nas costas, uma mãe falecida com quem ainda discute, e um braço que um dia, quase por acaso, se levanta para acenar. A cidade responde. E nessa troca mínima — uma buzina, uma mão no ar — habita talvez o essencial: a certeza de que ninguém quer passar por este mundo sem ser visto.
Entre o Cemitério dos Prazeres e a Praça do Saldanha, entre as visitas à campa da mãe e as noites frias em que se instala no seu posto como um farol na costa, o velho vai tecendo uma comunidade improvável. Condutores anónimos, um rapaz de bicicleta amarela, vizinhos que redescobrem o gesto de cumprimentar. E, no meio de tudo, a ausência de um amor antigo, um poema de que já não se lembra, e essa pergunta que todos fazemos: terá valido a pena?
Como lhe chamou Pedro Abrunhosa: “Sou estátua de pele e de sonhos, / O Príncipe Feliz do Saldanha, / Escondo andorinhas no peito, / O coração é de quem o apanha.” Este livro fala do que nos faz humanos: a fragilidade, a memória, o medo de não ter feito a tempo, e essa coisa estranha que é precisar dos outros mesmo quando já aprendemos a prescindir deles. Não se trata de salvar o mundo. Trata-se, apenas, de não deixar ninguém passar sem um aceno.
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