Que é escrever? Essa pergunta sempre me intrigou. Todas as vezes que alguém me perguntou sobre isso, senti espécie de angústia que me atormentava a alma. Esse não é o caso de Natascha Duarte. Desde que li seus textos anos atrás, tive a noção de estar sorvendo algo maduro, concreto, corpo e alma de uma autora pronta, dessas que a literatura brasileira tem aos montes e mesmo assim, cada uma soa encantada, mágica, Clarice, Lygia, Natascha.
Então veio Meu nome é meu, seu primeiro livro solo. Natascha criou minúcias em um universo cheio de nomes, de sabores, de olhares brasileiros. A maturidade estava em cada linha. A sensação era de ler pequeno tesouro revelado aos pouquinhos, como criança guardando o doce melhor para o final. Mas logo depois soube deste livro que agora está em suas mãos. Ah, então o melhor doce ainda estava por vir?!
Aqui Natascha ainda segue o caminho da narrativa curta que ela domina tão bem. Me lembrou novamente Lygia, que reinava absoluta em contos que falavam do cotidiano, destacando o que há de urgente em uma vida corriqueira. Mas há certo tom metafísico, uma ironia inteligente, uma cortante sagacidade que é toda dela. Uma identidade de escrita num oceano de textos profundos. Aí soou Clarice.
Duarte consegue falar de casamentos sem amor, de desilusões e manter o magnetismo de algo novo, inédito. Consegue a versatilidade de narrar um suspense fonsequiano sem as amarras, ou um drama suburbano com identidade.
Eu sei, talvez você esteja se perguntando o motivo de não largar agora este texto pobre e pouco profícuo e correr para as páginas do seu livro. Prometo que já lhe deixo em paz, quero apenas que, ao se lançar, tenha em mente que cada linha que lerá, cada história (com h mesmo, pois tudo aqui é verdade, ainda que ficção) é livremente inspirada na vida real de quem observa as entrelinhas do tempo, sem esquecer que quando uma escritora dá nome aos seus personagens, cria como os deuses o fizeram ao dar fôlego aos seres viventes muito tempo atrás
Wendel Bernardes
Editor de antologias e entusiasta literário
@alquimico__