A maternidade é um território de pluralidades. Um salto no desconhecido. Não se resume a um retrato fixo, não cabe em manuais de instrução. É feita de expectativas e frustrações, medo e coragem, silêncio e barulho, riso e choro, caos e calmaria, pequenas mortes e grandes nascimentos diários.
A criança chega, a mulher se refaz, e o mundo se redesenha a partir desse vínculo.
Neste livro, Maria Teresa Ferreira nos convida a atravessar sua experiência de maternar. São relatos íntimos, costurados com a força da vida cotidiana e com a delicadeza de um olhar sensível. Ao lê-los, descobrimos não apenas fragmentos de uma jornada pessoal, mas também a potência universal da maternidade: transformar, reinventar, ensinar sobre amor e resistência.
Falar desses textos é também falar de Davi. Ele, que apesar de ser “dela”, é inteiro dele mesmo — curioso, intenso, autêntico, um menino doce, cheio de opinião e “com muita malemolência”, como gosta de se descrever. Sua presença é inspiração e horizonte: a partir da mãe, se apropria do entorno e cria caminhos próprios.
No espaço que ambos constroem, mãe e filho dançam — um vínculo que não aprisiona, mas liberta; não molda para caber, mas acompanha, passo a passo, cada curva do caminho, mirando longe sem descuidar do que está perto.
Nozes nos convida a entrar nesse cotidiano. São diálogos e vivências partilhadas entre Teresa e Davi, momentos aparentemente simples que, pela escrita, se revelam profundos. Uma pergunta inesperada, uma resposta improvisada, uma descoberta conjunta: cada cena é também memória, aprendizado e afeto. O texto é, portanto, testemunho sensível e corajoso. Não traz formulas prontas, mas é verdadeiro. Não é sobre militância, mas aponta para a importância de perpetuar valores inclusivos e libertários. Não romantiza, mas é belo. A escrita é generosa: fala deles, mas abre frestas para que cada leitor se reconheça, se emocione, se enxergue.
Ao abrir estas páginas, permita-se sentar à mesa com Teresa e Davi e ser tocado pela delicadeza que há em transformar o ordinário em extraordinário.
Porque, no fim, a maternidade é isso: rasgar-se e remendar-se, mirando um mundo que precisa melhorar um pouquinho a cada dia — por eles e para eles, os nossos filhos.
Ana Carolina Gayotto