Não raro, pensamos nas perdas como um fim irremediável; histórias irrecuperáveis… mas a inevitável verdade abordada por Patrícia Cordeiro em Memorial é que, certamente, haverá um amanhã à espera. Mesmo que um laço se rompa ou um corpo pereça, resta sempre um resquício de vida em alguma esquina da memória ou objeto esquecido entre relações e gerações.
Em uma coletânea de poemas que flertam com o conceito de morte, Patrícia legitima as dores que se escondem no silêncio e se veem obrigadas a seguir em frente quando as vivências chegam ao fim, mas que, através da palavra escrita, encontram a forma de encarar a perda do outro, do eu e dos lugares que um dia ocuparam.
O Memorial é um monumento escrito para reflexão e celebração da sensibilidade por trás das perdas. Quando diz “a morte absolutamente não é o fim/ não é o fim/ absoluto // tantas dores que enterrei em mim/ ainda as sinto // à espreita”, a autora nos apresenta à ideia de uma sobrevida, aos fragmentos que persistem em nosso mais íntimo pesar.
Memorial é uma leitura mórbida, que utiliza esse recurso para transitar entre a tristeza e a esperança, capaz de envolver o leitor em uma contemplação sensível dos dilemas de quem sente demasiado, porque “é preciso segurar tão firme a caneta/ a ponto de rasgar o papel e o coração todo em verdade // porque ninguém vive só de acertos // e na ambiguidade voraz da vida/ viver e morrer // tentando”.
_outras informações
isbn: 978-85-7105-299-4
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 80 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª