Quando li um trecho do livro para um amigo médico, ele me perguntou por quais hospitais essa paciente já havia passado. De certa forma, me senti impactado, pois tamanha é a associação de aspectos comuns de “humanidade” que se fazem em relação à personagem. Disse a ele que se trata de ficção, e a resposta foi: “impressionante o relato”.
A precisão no detalhamento de fatores que, para a maioria das pessoas, é difícil de pensar ou sentir, torna a Denise uma escritora extraordinária. A forma como conduz o mergulho nas profundezas da mente da personagem, em sua própria mente e, consequentemente, na do leitor, provoca uma espiral de emoções, sentimentos e lembranças do que nos é comum, tornando possível nos colocar como agentes, e não somente observadores do texto — mas sim uma Litost.
A experiência é incomodativa, instigante, real e ao mesmo tempo fictícia. Distante como a infância, e presente como as angústias do nosso tempo. Às vezes, vê-se Verônica, às vezes Denise; às vezes uma paciente, às vezes a loucura; mas, na maior parte delas, vê-se a realidade, o humano, o feio e o deplorável em essência, coisas pequenas que se amontoam no ventre e que nos unem ao redor desta obra.
Leia como leitor, mas leia também como escritor, como se estivesse enxergando o texto por cima do ombro da autora enquanto ela escreve, e tente conversar com ela. Isso é possível neste romance. Depois, escreva você mesmo nas páginas do caderno azul e perceba que Litost é um pouco de cada um de nós.
Valdimir Lima
Psicólogo