lava-me o verso arredio de impropérios
risca-me do teu dia sagrado
sou formada para dúvidas
para o nada
bélico mundo corta meu cordão umbilical
para que o sangue mar filicídio
me enterre nas asas
do nada ser
R$50,00
_sobre este livro
Marilene é um meteoro que rasga o céu, causa um estampido ensurdecedor e deixa um rastro que espanta. Um meteoro pode destruir, extinguir toda uma era para que se comece outra. Pode ser o fim arrasador, mas também pode ser a beleza que passa cruzando a atmosfera de quem observa. E aqui, na sua Libidorragia, há aquela força contínua do trajeto. A potência de algo que atravessa e se impregna na retina.
Marilene é um fenômeno incandescente, do qual pouco se sabe a origem. Uma espécie de vulcão que desperta e anuncia algo. A morte? O renascimento? O lamento intrínseco no cerne de uma elegia? Talvez. Marilene aqui é a própria vertigem. O corpo poema que voa no rasante da rapina. Que cai como pedra gigante na cratera. Algo que se estabelece antes das construções. As dores faíscam nos tempos sombrios, e é por essas veredas que caminha e persiste. Respira quando pode, grita nos cemitérios dos imbecis quando brilha na luz do corpo poema. Ainda assim, há o momento entre tempestades, quando entre dilúvios cresce o limo na rocha e deixa o horizonte mais verde na enseada, a voz manca que parece rodear as estrelas. Marilene é maremoto, mas também é a gota de lava que petrifica uma escultura quando toca na água. Os corações foram enterrados na primavera, assim como os cantos da voz do corpo poema que celebram em volta do fogo. Como um réquiem de lágrimas que nos destroços desse mundo segue as marcas dos passos dados. E no silêncio à beira do abismo surge essa fenda. Depois do sol, antes da noite. Naquele instante em que tudo parece se estender no crepúsculo dos cordéis da alma. Onde tudo arde e tudo se alinha e arrepia os ombros e as vértebras. Onde gestos triplicados de ausências futuras lançam angústias para versos secretos. E no sonho que ainda tem estrelas, antes de qualquer evento apocalíptico que se calcule diante das angústias do mundo-navalha, Marilene é poeta.
Pedro Lago
_outras informações
isbn: 978-85-7105-188-1
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 56 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª