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De vento em polpa

Disponibilidade: Brasil/Europa

Um pronome que soa como chapada: “ela!”. Uma vergonha por ter feito do amor ocupação por mais de meia década.
“Amor não deve ser ocupação. Se assim for, rapidamente passa a gerar apenas preocupação” — dizia-lhe a mãe, que tinha um vício por formular ditados.
O que a mãe não sabia é que não só prefixos são capazes de mudar uma vida; naquele dia um pronome foi capaz de fazer todo o estrago. Três letras que se impunham ao invés de duas.
A consoante fatal, fonte da articulação. Não se conseguia mexer nem desfixar o olhar do chão. Havia lá um pêssego caído já apodrecido.
Não disse uma única palavra a mais e aceitou aquele pronome como sentença. “Ela”. Levantou-se, deu três passos, pegou no pêssego caído no chão e atirou-o para o saco do lixo lilás.
Naquela cozinha só havia espaço para um evento de putrefação.
(Ela, página 111)

 

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_sobre este livro

Quando se começa a ler esta prosa poética, pensa-se no dilema do vento em popa e/ou do vento em polpa. Qual definir na realidade estilística de uma redescoberta de palavras adocicadas, amorangadas, romanizadas que nos oferecem bananidades como quem oferece uma fatia de pão-por-Deus no dia de Todos os Santos?
Meditei muito neste livro. Li poema a poema, texto a texto, a popa e a polpa, e, quando finalmente me apercebi da sua doçura adocicada com muito humor e amor entre os frutos, as árvores, as pessoas reais e imaginadas, vi quanta beleza a autora nos está a oferecer com umamão beijada!!!
Miscelânea poética de frutos tropicais, únicos, exóticos, aromáticos com outros mais europeus que orientais, menos saborosos, menos quentes, que me fez pensar seriamente em como foi maravilhoso e reconfortante “voltar à terra como quem volta ao útero para reaprender a existir”.
“Pô, bliguidi, pi”, ou seja, “Bateu, caiu, morreu”, mas eu quero afirmar convictamente que a autora apenas bateu nas teclas do seu verbo preferido — imaginar — e não caiu e muito menos morreu! Impossível, perante este vento em polpa com que se vão deliciar os futuros leitores.
Apraz-me referir que, em Roma, após a partida de um Papa, o mundo espera com ansiedade ver o fumo branco e ouvir a célebre frase “Habemus Papa”. Eu vou mais longe… Nem foi preciso esperar pelo fumo poético por muito tempo. Direi com a certeza poética do meu longo percurso: “Habemus Poeta”!
Olinda Beja

_outras informações

ISBN: 978-989-9348-24-0
revisão: Victor Negri
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5 cm
páginas: 142 páginas
papel offset ahuesado 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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