Em agosto de 1938 o jornal A Noite noticiou a prisão de um “pontífice de ritos bárbaros” no Rio de Janeiro. Era José Soares, flagrado enquanto fazia “exorcismos” sobre “uma menor” diante de “adeptos de tez pálida”. Em sua casa foi encontrado um ramo seco de uma erva mais tarde identificada pelos policiais como sendo “maconha”. Ao delegado, o “pai-de-santo” explicou que a planta possuía reconhecidas propriedades medicinais, afirmou que desconhecia a sua proibição e que esperava que o caso não se tornasse um “bicho de sete cabeças”. Daqui do futuro as palavras do sacerdote soam como triste prognóstico, inspirando o nome deste livro e o cerne de sua problemática: a emergência de um problema social de proporções mitológicas em torno de uma planta.