Baldeação

Disponibilidade: Brasil

entre

dentro e fora; esquerda e direita; acima e abaixo; pra lá e
pra cá; norte e sul; psdb e pt; tietê e pinheiros; Santos e
Guarujá; dia e noite; Corinthians e Palmeiras; frente e trás;
começo e fim… onde se está, como se encontra, qual o
tempo, espaço… não há extremos, não há dois lados…

estamos sempre no entre

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_sobre este livro

Nos versos de Baldeação, bem como fora deles, a cidade não para. Erick Vicente examina a vida urbana com poemas em frequente movimento, nos quais a cidade é vivida pelos sentidos de habitantes sempre à procura de um respiro. No entanto, a cidade explorada aqui é um labirinto que confunde qualquer busca. Todos sabem aonde precisam ir, mas é um sentido sem sentido. É uma cidade que aprisiona em movimento circular, prende em meio a contradições.

A rotina esvazia os indivíduos, o que os versos de “rua piracuama” desvelam a partir de uma das menores unidades urbanas. A rua cumpre o papel de microcosmo para o vazio criado pelo dia a dia. É onde tudo se supõe visível, está do lado de fora, mas nestes versos ocorre o inverso. Em “o dia”, novamente uma das menores unidades, dessa vez de tempo, o esvaziamento é ainda mais cruel.

Mas Erick Vicente oferece esperança. A noite traz aquele respiro e inspira o desejo de que algo mude. O jornal e a novela no fim do dia não são meras distrações; são o que mantém os citadinos despertos. A noite e o respiro levam ao que é humano. A rotina da cidade também esvazia os bolsos, condenando o lazer e até mesmo a nutrição, mas, nos poemas de Baldeação, bem como fora deles, Erick Vicente não se dá por vencido.

Há espaço até mesmo para a catarse, na liberação de energia que dá função ao caos em “danço”. Os habitantes da cidade buscam enxergar em meio à fumaça, seguir em meio ao concreto, e encontram música em meio ao ruído. Em “domingo”, há boteco, futebol na tv e risos à mesa. O merecido descanso para o corpo esgotado. Olhos moles enfim veem o que a rotina tenta sufocar.

Olhos amanhecidos registram a paisagem de asfalto e o sol reluzente, do momento em que despertam até o fim do dia, do começo ao fim da semana. Em um ambiente que frita e devora, o dia a dia leva a uma solidão acompanhada, até que, ao fim da jornada, o sono leva ao oblívio, distrai das obrigações. Todos buscam o respiro em meio aos cotovelos do coletivo moedor de almas. O tempo corre ao lado de cada um e passa quase despercebido.

Mas há luz na saída do subterrâneo. Nas trocas da baldeação, há trocas de olhares e toques. Contato que resiste ao esvaziamento, reacende a humanidade e devolve a personalidade quase esquecida. Na cidade também há o momento para observar o instante e apreendê-lo por todos os sentidos. E há, ainda, a fuga pelo delírio. Fuga para dentro como proteção na busca pela identidade fugidia. Em Baldeação, bem como aqui fora, a cidade alucina.

Lucas Mendes Kater

_outras informações

isbn: 978-85-7105-392-2
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 128 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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