Pousou os sacos no chão, aflito. Tinha os dedos das mãos inchados e escurecidos, garrotados pelo peso que carregava. Esfregou-os uns nos outros para facilitar o retorno da circulação sanguínea e fechou a porta. Pegou novamente nos sacos pelas asas e percorreu o corredor, direto à cozinha, sem desviar o olhar para nenhuma das outras divisões da casa.
Tirou a panela grande do armário e atestou-a com dois quilos de batatas por lavar e descascar e um frango defunto, inteiro, que mantinha a cabeça, unhas, penas e os olhos abertos. Cobriu o conteúdo com água, transferiu a panela para o fogão e acendeu o lume. Só depois despiu o casaco e descalçou as botas.
(O quarto do meio, página 7)