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A vontade de matar iria passar

Disponibilidade: Brasil

“Escrita”
“Duas da tarde. Dormindo pesado, um homem nu, um lábio caído. Ela chegou bem perto da sua cabeça, mirou no ouvido, vergou a panela, sentiu o fedor da água queimada arder sedenta, um barulho de morte fervida, água fazendo espuma, vapor, sanguinário silêncio. Era só virar, despejar. Pronto, vingança cumprida, homem morto, desgraçado queimado vivo. Ela, silenciosa água, sangue pisado, a saliva vinagrava a tarde. Parou um segundo. Pensou na história dos destinos escritos. Pensou no olho das palavras de Joana. Espesso silêncio, desdisse.
Nada se escreve destino. Sou eu a dor da minha mão.”

 

O livro está em pré-venda até 26/07/2026. Os envios se darão após essa data.

O preço original era: R$52,00.O preço atual é: R$46,80.

_sobre este livro

Há livros que servem como espelhos e outros que funcionam como estilhaços, cortando-nos inteiros. A vontade de matar iria passar é o momento exato em que o vidro se torna caco afiado na carne. Daniel da Rocha Leite não oferece o conforto da linha reta; ele entrega o líquido derramado, o trauma e a beleza que nasce do que foi quebrado.

Neste livro, o leitor não apenas lê sobre a dor: ele sente o gosto. A sinestesia da palavra descendo pelo corpo da língua. O cheiro do sal, o peso do lodo e a quietude que antecede a ruptura. São contos que habitam as bordas e os meios. Não é uma leitura passiva; é uma colisão estrategicamente dolorida.

Um momento de escuta para as vozes que o cotidiano mastiga e cospe.

Daniel nos conduz generosamente por uma cartografia em que o corpo, sobretudo o feminino, é território onde dor e transcendência se multiplicam e sobrevivem. O autor não trata a mulher como paradoxo. É elemento. A mulher-água que, agredida pelas pedras, escolhe o mar como útero para renascer em iodo e sangue.

Nestas páginas, a resistência tem rosto de mãe e mãos sacras, como somos aos olhos dos filhos. Aqui somos Deus. Enlamaçadas, vincando a pele no arame farpado, ainda somos Deus.

É uma escrita que fere a pele para revelar que, mesmo num mundo que lacera e silencia, permanecemos como a maré: cíclicas. Um universo de urgências em que se pare a tempestade quando tudo ao redor é estiagem.

“Aprendeu a se escrever, a se reescrever, a não matar, a não morrer.”
Segue-se, ainda que a vontade de matar não passe.

Viviane Ferreira Santiago

Professora universitária, escritora e jornalista

_outras informações

isbn: 978-85-7105-540-7
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 60 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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