A saga dos trens

Disponibilidade: Brasil

Após o trem passar, fica um silêncio
que só é notado porque o trem passou
com o barulho rítmico das rodas de aço
sobre os trilhos.
Assim sabemos que o silêncio existe.
E a plenitude pode ser a possibilidade
de ter o silêncio e o som na existência.
E assim existe o outro tempo
em que não passa o trem.
Mas dirão que há outros ruídos na noite:
pios de corujas, aparelhos eletrônicos,
conversas, suspiros
e gemidos de amantes nos leitos…
mas que vão se escasseando à medida
que a noite avança.

R$52,00

_sobre este livro

Luiz Felipe Rezende cria uma mitologia particular em que trens, rios, o mar e as montanhas são símbolos recorrentes que tentam representar as suas questões mais profundas existenciais e espirituais. O mar é o que falta para o habitante da montanha para alcançar a “plenitude”; trens e rios são elementos de fluência numa busca fomentada pela inquietude, contradizendo o mito de que o mineiro é um ser apenas bucólico, “de paz com a vida e com a natureza”. As principais influências de LFR são os poetas conterrâneos como Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos, Murilo Mendes; mais Vinicius de Morais, Cecília Meireles e Fernando Pessoa. O livro se divide em quatro partes. Em “O chapéu do fiel”, é a Minas que prevalece entre outros poemas sobre a natureza como em Pedra Ramada que é uma reflexão sobre a fossilização do vegetal no minério que transcende o tempo. E assim o poeta reflete sobre a transitoriedade de nossa passagem por este planeta, o que de certa forma, é o mote principal que permeia esta obra. Na outra parte do livro, “Diário de inconfidências”, o autor alterna para poemas muito curtos que são insights, reflexões sobre o cotidiano, tendo algumas revelações íntimas o que justificam o título. Em “Canções que tiraram férias de suas melodias”, o autor dá espaço a algumas letras de músicas ainda inéditas, engavetadas que aguardavam a vez de virem à tona. E em “Hotel Ádara”, contém um poema longo, quase prosa (A saga dos trens e dos rios) em que a ideia pelo formato e ritmo veio dos heterônimos de Pessoa: Álvaro de Campos (Ode marítima) e Alberto Caieiro (O guardador de rebanhos); e também em Ferreira Gullar (Poema sujo). Neste poema, o eu lírico de LFR mistura lembranças reais com fantasias, estando num hotel imaginário à beira da estrada em que se confunde com o seu apartamento, tudo em clima de sonho, com a supressão da lógica linear na narrativa, enquanto sua mente transita por várias cidades no Brasil e até no exterior como na península de Yucatan, no México. E reflete profundamente sobre a Vida e a Morte, pois é um poema parcialmente escrito durante a pandemia. A reclusão faz que o poeta inclua no poema personagens de séries e filmes. E, junto à febre, ele tem delírios, visões e vê parentes que existiram e outros mitológicos. Em sua revisão, o autor questiona o amor platônico na adolescência expresso em versos embalados ao som de Pink Floyd. E revê diversas fases de sua vida e percebe como o seu “eu” foi sempre um camaleão, em constante mutação.

 

_outras informações

isbn: 978-85-7105-412-7
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 104 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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