Fabular.
Fabular para ir além da realidade colocada às nossas vistas.
Meu nome é um lugar longe vem, exatamente, como esse canto de sereia que chacoalha a realidade para fazer-nos ter uma outra ideia sobre ela. Entre cabras que gritam e rios vermelhos, a narrativa nos faz ter diversas sensações, que vão desde a agonia de sentir uma agulha entrando no pé até a intimidade de estarmos em um mesmo quarto às 5:30h da manhã, sonhando juntas.
Apesar de, inicialmente, parecer feito de contos isolados, o livro nos mostra como as histórias estão entrelaçadas, com costuras feitas de forma sutil e, estranhamente, belas.
Estranheza.
A fabulação que a autora se propõe a fazer nos afunda em imagens extraordinárias, extra cotidianas e, por isso, extremamente instigantes, que fazem com que nos perguntemos:
de quem são os rostos que formam o rio?
É com esse tipo de pergunta que a obra nos faz discutir sobre quem mata e quem vive, sobre a valentia de se manter de pé, sobre não recuar, sobre mulheres também enfurecidas e entristecidas, sobre ira e amor, sobre se fazer presente neste tempo-espaço.
É isso.
Meu nome é um lugar longe se faz presente e é uma convocação; um chamamento para que peguemos as palavras e as lancemos como lâminas.
Eis a nossa maior arma.
Lorena Lima