Estocolmo

Disponibilidade: Brasil

Em Estocolmo, a poesia percorre o território ambíguo onde amor, poder e violência se confundem. Entre o íntimo e o político, Ana Carolina Marsicano nomeia as engrenagens do patriarcado, desmonta as ilusões do afeto desigual e acompanha o árduo caminho de volta a si. Com uma escrita incisiva, visceral e simbólica, estes poemas transformam dor em linguagem, denúncia em rito e sobrevivência em possibilidade de liberdade.

R$54,00

_sobre este livro

Livro de estreia da escritora Ana Carolina Marsicano, Estocolmo é um convite ao profundo, à imersão no deserto inaugurado pelo fim do amor. Nele não se fala do amor abstrato, lírico, romântico. Mas de disputas e dores típicas de relacionamentos heterossexuais, mais especificamente, das implicações de se envolver afetivamente com homens, nos tempos atuais. A faísca que inicia a escrita parece vir das seguintes perguntas: como amar quem foi ensinado a dominar? Como deixar de amar aquele que goza ao ferir?

a mágica do patriarcado é essa: / olhar o monstro / e chamar de homem cansado”.

Com metáforas que explicitam os conflitos e as diversas violências que constituem o tecido do amor heterossexual, os poemas são pungentes e têm o ritmo febril da luta pela libertação, pela recuperação da posse de si, do corpo e da mente, encarados como territórios colonizados, palcos de batalhas sangrentas no mundo material e espiritual, pois os saberes ancestrais afrobrasileiros, que fazem parte do repertório da autora, também integram o texto.

o que era meu / voltou pra carne, / ferida reaberta em sinal de vida / e meu nome / devolvido à boca certa. / falo alto. / pra me ouvir inteira”.

Ana Carolina faz poesia feminista ao desvelar com sofisticação os mecanismos que tornam o pessoal político. Estocolmo fala de uma experiência pessoal que é também espelho, com grande capacidade de gerar identificação com o leitor. O fio condutor que confere unidade ao livro é o da inépcia masculina quando o assunto é o cuidado. Todo ele foi terceirizado: o cuidado consigo, com os afetos e tudo que sustenta a vida. O masculino hegemônico aparece com o seu tamanho real, valendo o que pesa, posição pouco honrosa.

eu aprendo a limpar com raiva, / a varrer o que é dele com vassoura curta, / a separar culpa de resíduo, / a jogar fora o que fede a descuido”.

A poesia feita em Estocolmo é reflexiva e instigante, encara temas espinhosos de forma corajosa, ilumina paradoxos e complexidades e indaga se é possível fazer do amor um lugar de descanso, de prática de alteridade, dentro da heterossexualidade.

Clarissa Galvão

Socióloga e idealizadora do Clube Traça

 

_outras informações

isbn: 978-85-7105-557-5
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 100 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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