vilma
(Apontando para o relógio.) Ouve, Laura! Vês? O som da inexorável passagem do tempo? (Pausa, enquanto contemplam o relógio, ambas em silêncio.) É isto que cria as fendas na nossa pele, é isto que faz descair o nosso corpo. É o ritmo constante destes ponteiros sádicos. São eles, Laura, são eles. Ouve! (Ficam em silêncio durante breves segundos, ouvindo os ponteiros do relógio.) Cinco de fevereiro, oito horas. Hoje, estou vinte e quatro horas, trinta minutos e dez segundos mais velha. Tenho cinquenta anos, seis meses, cinco dias e duas horas. Tu tens exatamente dezanove anos, dez meses, dezasseis dias, duas horas e quinze segundos, (Pausa, contando.) dezasseis, (Pausa.), dezassete, (Pausa.) dezoito. O relógio não para. Os ponteiros nunca param de anunciar que o meu fim está próximo! Vem à Vilma, cordeira! Vamos ver se te cresceu alguma ruga durante a noite…
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