“Ela, como temia — e de certa forma previa — já não se lembrava mais do rosto do marido. Não se lembrava de quase nada. O tempo, gentil com alguns, não foi ao menos piedoso com ela. Vieram a loucura e a demência. Não se lembrava de nomes. Traços conhecidos tornaram-se estranhos. Fugiu de casa, mais de uma vez, vagando sem saber para onde — talvez buscasse o oceano. Ajudou a criar cinco netos. E teve tempo de se divertir brincando com nove bisnetos. Uma vida cheia. Um coração transbordando de lembranças… apagadas pelas enfermidades de quem dura tempo demais. Sofreu mais do que merecia. E se foi, sem saber ao menos quem era”.
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_sobre este livro
Se Philomena fosse um gesto, seria certamente um abraço. Daqueles que permanecem — sinceros, discretos — e são lembrados entre tantos milhares de outros que atravessam uma vida.
Com escrita contida, sensível e profundamente humana, o romance constrói cheiros, lugares, sabores e afetos. O autor convida o leitor a uma trajetória que atravessa oceanos e séculos: da velha e fervilhante Europa a uma roda de cadeiras de fio numa calçada qualquer do interior brasileiro.
A narrativa apresenta uma protagonista magistral justamente por ser unicamente normal.
Daquelas que todos reconhecem em algum momento da própria jornada. Nela não há heroísmo, tampouco caricatura. Há verdade, medo, insegurança e, sobretudo, memória.
Philomena fala de pertencimento e de raízes. De identidade e das transformações silenciosas que o tempo tece em cada vida comum. É um livro que se lê com os ouvidos de quem escuta uma boa história tomando café, sem pressa. Ao leitor, resta a certeza de que algo permanece depois da última página. Seja nos gestos cotidianos, nos conselhos de avó, ou nas marcas de lágrimas saudosas que, discretamente, podem salpicar estas páginas.
Rosana de Fátima Oliveira
_outras informações
isbn: 978-85-7105-520-9
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 128 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª