Pele que guarda mar, memória e ferida. Peixes que nadam entre infâncias, exílios e águas que sobem. Nestes contos, o corpo é território, o tempo é líquido, e o que resta é o brilho fugaz de uma escama antes do mergulho. Alexandra Lopes da Cunha costura Brasília, Porto Alegre e Portugal num mosaico de vozes que resistem ao esquecimento.
10% de desconto PRÉ-VENDA ATÉ 14/06/2026.
Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda
R$60,00O preço original era: R$60,00.R$54,00O preço atual é: R$54,00.
_sobre este livro
Numa prosa de cadência hipnótica, atenta ao ritmo e ao detalhe, Alexandra Lopes da Cunha abarca, nestes contos, temas que atravessam o nosso tempo, das alterações climáticas às migrações, do colonialismo à maternidade, do envelhecimento às artes e à literatura. No entanto, essa diversidade temática converge para uma reflexão implacável: a injustiça, social ou natural, como condição estrutural da existência.
O retrato idílico da infância chega-nos atravessado pela consciência de que tudo se esboroa. “Nunca mais vou ser tão feliz”, diz a adolescente, melhor amiga da narradora num conto sobre corpos jovens à beira-mar, risos sem preocupações, prazeres por descobrir. E com a meia-idade vem a solidão.
Casas e cidades são construídas como promessa de futuro e tornam-se, anos depois, ruína, como os corpos. Da construção de Brasília e do sonho malogrado de progresso às paisagens do Sul do Brasil, do mar às ruas urbanas, os espaços não funcionam apenas como cenário.
Há ecos de uma tradição romântica na melancolia, no retrato dos artistas malditos, dos deslocados e no reconhecimento da natureza como presença ativa. O vento ou a água que avança sobre a terra torna-se força que interfere na vida humana.
Mas se no poema “Ode ao Vento Oeste”, de Percy Bysshe Shelley, o vento é exaltado como renovador, o “Minuano” de Alexandra Lopes da Cunha revolve o passado e traz recordações sem espalhar sementes revolucionárias. É esse olhar lúcido e desencantado que distingue a sua escrita dos românticos e a situa firmemente no presente.
No conto final, que dá nome ao livro, a autora abandona a memória e o passado para se projetar num futuro distópico. Num cenário inquietantemente próximo, as águas tomaram conta da terra. A narradora vê o mundo tal como o conhecia desaparecer. Não há espaço para nostalgia nem para contemplação. É preciso adaptar-se, aprender novas formas de viver, endurecer para sobreviver. A pele dos peixes é um livro sobre a inclemência da passagem do tempo, que desmorona o corpo, a casa, a terra e, eventualmente, a memória, porém não se vota completamente à desesperança. A obra encontra, na própria linguagem, uma forma de atravessar a enxurrada dos tempos sem perder a iridescência da pele dos peixes.
Sandra Castiço
_outras informações
revisão: Marcella Sarubi
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5 cm
páginas: 108 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª