A faca precisa de um outro. É em um outro que a faca cumpre sua função. É o outro que é sensível ao fio da faca. Poemas que expressam toda volatilidade da pessoa que os escreve. Íntimos, como confissões em um diário. A faca corta, e o lápis?
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_sobre este livro
Quando uma palavra é lançada ao mundo, o silêncio entre o pensar e o agir é cortado. Antes, afia-se a língua até salivar. Neste livro, Crystal Duarte conjura poemas que produzem um corte libertador (ou libertino) em quem lê. Das ranhuras, escorre um fio líquido, que não se sabe se é sangue, secreção, seiva, suor, squirt, saliva, mas umedece constantemente a leitura. Algo flui da epifania em sentir-se desejada e desejante, embebida por uma melancólica volúpia e solidão. Contudo, para essa narradora não há dicotomias.
A faca é a morada dos paradoxos:
A proximidade da morte jorra a vida.
O gozo que convoca os corpos à guerra e depois à calmaria.
O corte seco da poda. Galhos caídos. O beijo molhado da foda.
A palavra corta um fluxo contínuo de sensações. Não afirma o que é “a coisa em si”, mas o que a coisa pode vir a ser. Fixa a verdade por uns instantes, depois liberta, deixa escapar.
Dos galhos caídos que avistamos, produzimos o lápis.
Da suspensão do silêncio, fazemos rabisco e poesia.
Rubens Takamine
_outras informações
isbn: 978-85-7105-466-0
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 108 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª