O fim das crianças

Disponibilidade: Brasil

(…) Se houve algum projeto celestial para evoluirmos de uma molécula primordial até esse cérebro complexo, escravo de prazeres, certamente foi para desaguarmos nesse tabuleiro de 64 casas, onde cabem todas as dimensões da vida. Isso que os indianos inventaram no século vi é uma metáfora quase literal da existência, porque propõe projetos em conjunto sem jamais alimentar a ilusão da igualdade.

R$54,00

_sobre este livro

Siga adiante por sua conta e risco

Se você coleciona certezas, é uma pessoa cheia de convicções, deixo um conselho sincero: não leia Fabrício Barcelos. Este livro não é para você. Há o risco real de perder o fio da meada na roda de amigos ao perceber, de repente, que você já não acredita tanto assim naquilo que costumava dizer com segurança.

Se você não costuma prestar atenção nos semitons da alma humana, passe longe destas páginas. Aqui você vai esbarrar em sentimentos indefiníveis, desses que a gente só reconhece quando sente um amoramizade, essa mistura que deixa a vida mais saborosa do que uma louca paixão; um adeussaudade, o fim de uma relação que parecia necessário, mas deixa um enorme vazio; ou ainda aquele cuidadoloroso, a culposa dor que surge ao cuidar demais de alguém. Nada disso está escrito assim, com palavras grudadas umas às outras — o autor não é dado a neologismos —, mas o texto faz questão de deixar entender.

Se você é do tipo direto e objetivo, que sabe exatamente qual informação procura ao folhear um livro, pense duas vezes antes de ler estas crônicas. Há risco de labirintite. O autor provoca loopings emocionais e, sem perceber, você vai girar em torno de si mesmo como se lesse longas cartas pra ninguém.

E, ainda, se você não tem curiosidade de ir até o limite do que cada palavra consegue expressar, este livro também não é recomendável. Se verbos como farfalhar ou adjetivos como caudaloso não encontram espaço no seu vocabulário, desista antes mesmo de começar. Talvez você passe a ouvir a própria fala como quem descobre um idioma novo.

Agora, se você — como eu — é ou busca ser o oposto de tudo isso, vá com calma mesmo assim. Não mergulhe de cabeça. Você corre o risco de queimar o almoço, se atrasar para um compromisso ou ouvir de quem divide a vida com você: “Onde você está, que eu falo e você não presta atenção?”. Os textos de Fabrício Barcelos são deliciosamente viciantes, como doce de leite. A gente começa e não quer largar mais. E, quando percebe, já está envolvido demais para voltar atrás. Talvez esse seja o maior aviso — e também o melhor convite — que um texto de orelha pode fazer: siga adiante por sua conta e risco.

Edgar Gonçalves Jr.

_outras informações

isbn: 978-85-7105-441-7
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 120 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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