Quando foi que o Tempo se perdeu, se tornou fragmentado, um Zeitgeist inapreensível? Em que ponto uma geração se realiza, em que ponto deixa de sonhar? Qual o papel da literatura em um mundo dilacerado no qual não pode haver mais um eu depois da morte de todo autor? O nascimento, a morte, o amor e o tempo, são termos que ainda fazem sentido?
Essas são as perguntas que movem o jovem Henry Illiteratti, numa espécie de “mise en abîme”. Em um misto de romance e ensaio filosófico, acompanhamos as perambulações de Illiteratti em meio a um mundo deixado em destroços, o lançamento de seu próprio livro não escrito, bem como as consequências desse lançamento em um tempo que perdeu a razão.
Na primeira parte, Santuário em ruínas, acompanhamos a narração acerca de Illiteratti em sua tentativa de entender o mundo, refigurar o tempo e vencer o cinismo, até o momento do lançamento de seu livro dentro do livro.
A segunda parte, O livro não escrito, publicado por Illiteratti dentro da narrativa, acompanha a jornada de duas histórias paralelas, a de Nathanael e de Halland, um universitário desiludido e um artista desesperançado, reflexos de uma geração que sente haver desencontrado seu rumo.
Por fim, a terceira parte, A tessitura do Tempo, novamente narrada, demonstra a resolução de Henry em seu propósito de escrever, tarefa que o acompanha desde sempre e que a resolve para até o final da vida, em sua jornada para recosturar o próprio tempo fragmentado em que vive, para poder entrever a luz do renascimento de um novo tempo fabulado, e vislumbrar alguma esperança ou caminho na descrição de uma geração que talvez não esteja sumamente perdida.