Traslado

Disponibilidade: Brasil/Europa

edição bilíngue – português e inglês

imagina silenciar os motores
as buzinas
as peças soltas que chacoalham
as portas emperradas
as instruções estúpidas
as notificações alarmantes
os anúncios
as sirenes
o som dos passos
meus e dos outros
(…)
(cállete, pg. 25)

imagine silencing the engines
the horns
the loose pieces that rattle
the jammed doors
the stupid instructions
the alarming notifications
the ads
the sirens
the sound of footsteps
mine and others’
(…)
(shup up, pg. 86)

R$55,00

_sobre este livro

Atenção passageires, última chamada para embarque nessa viagem que abre rotas entre barcos, ondas sonoras, aviões, karaokês, caminhões de lixo, pistas de corrida e de dança — e também alcança lonjuras de pedra parada, reverberando voos silenciosos nos recônditos canteiros de si mesmo. Traslado é bordado de som e palavra, tecido em conversas e observações, sempre na abertura para o encontro. Um lembrete de que estamos de passagem e que o melhor a fazer é partilhar a jornada, aprender de outras gentes: crianças, idosos, rochas, pombas-relógio e o que mais pintar.

Estamos diante de um vulcão que observa, escuta, questiona, conecta, transgride, jorra e escreve. Bruna Castro escreve muito. Escreve como escape, carregando contrabando imaterial que entra nas fronteiras, infiltrado e imigrante. Ela escreve, entre lenguas, across the oceans, tecendo alas dans l’aire, encontrando gente da mesma laya, primavera nos dentes, metal e crocs no pé.

Em Traslado, Bruna segue a intuição das andanças e “cria a própria subtitle”. Dá a letra e nos faz chafurdar nos Ks (tenho certeza que foi ela que inventou o meme “kkkkrying”), enquanto concordamos que podemos viver sem alguns Zs, embaixo do solinho português. Na cisma, ela cava buracos com a própria língua, cria nós & mezcla tudo com farinha, borrando fronteiras. Sem sutiã, pero siempre com insistência.

Se o narrador arcaico (camponês e viajante) de que nos fala Walter Benjamin contava histórias com a alma, o olho e a mão, em Traslado temos uma narradora artesana, tecnológica y queer feminista, de bruxismos guturais, que escreve com o labirinto, os dentes e a garganta. Ela fala, “e, como toda mulher que fala, é mal interpretada”. E então ela fala de novo (“entra muda e não sai calada”!). Ela quer ser ouvida tanto quanto um homem.E então, quando é preciso, ela GRITA. Grita do fundo da gruta, no “gozo dos prazeres que saem da garganta”.

É claro que neste traslado também há silêncio. O silêncio é bem-vindo, quando cala a máquina, os jet-skis, a turba das metrópoles, a avalanche incontrolável do capital. O silêncio abre brechas de espanto nas fendas das rochas. E de repente, sob o céu estrelado da praia, podemos viver de luar e sardinha, como Mariella, e de manhã mergulhar na quietude das ondas, concordando com os olhos que é demasiado “cedo para falar alto”.

Decantado o silêncio, podemos rompê-lo novamente, na entrega às descobertas, abrindo conversas com estranhos mientras esperamos o ônibus, o autocarro, a roupa por lavar.
O silêncio se rompe nas miudezas da fala, nas diferentes estratégias de small talk e nos modos de demonstrar gentileza entre desconhecidos, matéria que Bruna Castro investiga tão bem. O que faz uma pessoa desconhecida virar conhecida, amiga, parceira? Na troca, podemos encontrar hérnias e hiatos em comum, construir vínculos, pares, comunidades.

“Wanna scream together?” Não há melhor convite neste traslado alto astral. A vida é finita, então toca gritar junto e aproveitar os encontros, pois pode ser que nunca nos vejamos de novo. Me joga pra cima, que te jogo também. E quem sabe, como disse o sr. Antonio: “ya nos veremos en el cielo!”

Flora Lahuerta 
(aeroporto de Roma, julho de 2025, depois de comer um tiramisù)

_outras informações

revisão: victor negri
fotografia da capa: cedida por fernanda pompermayer
isbn: 978-85-7105-338-0
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 132 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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