Bicho de Sete Cabeças: a criminalização da maconha

Disponibilidade: Brasil

Em agosto de 1938 o jornal A Noite noticiou a prisão de um “pontífice de ritos bárbaros” no Rio de Janeiro. Era José Soares, flagrado enquanto fazia “exorcismos” sobre “uma menor” diante de “adeptos de tez pálida”. Em sua casa foi encontrado um ramo seco de uma erva mais tarde identificada pelos policiais como sendo “maconha”. Ao delegado, o “pai-de-santo” explicou que a planta possuía reconhecidas propriedades medicinais, afirmou que desconhecia a sua proibição e que esperava que o caso não se tornasse um “bicho de sete cabeças”. Daqui do futuro as palavras do sacerdote soam como triste prognóstico, inspirando o nome deste livro e o cerne de sua problemática: a emergência de um problema social de proporções mitológicas em torno de uma planta.

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_sobre este livro

O compromisso firmado internacionalmente pelo governo brasileiro no controle do plantio, uso e venda da Cannabis é o ponto de partida para o bicho de sete cabeças que se tornaria a política de drogas no país. Neste livro você vai entender como as elites brasileiras instituíram o controle sobre a maconha na então capital brasileira, o Rio de Janeiro, durante a primeira metade do século XX. Vai perceber como a política repressiva instituída naqueles anos se atrelou às práticas coercitivas anteriormente estabelecidas no país, como as autoridades policiais se valeram da eugenia e do racismo para definir os alvos da sua atuação e de que forma essa predileção incidiu sobre a vida das pessoas pobres e negras que se tornaram alvo de suas penalidades. Nessas páginas foram percorridos dois caminhos: o primeiro deles, voltado para as décadas anteriores à criminalização nacional da maconha de 1932, segue as pistas dos jornais e revistas de circulação nacional a fim de entender como as classes letradas manejavam os diferentes nomes da planta conforme os seus próprios interesses de consumo da planta e de controle sobre a população negra. Já a segunda parte se debruça sobre a cidade do Rio de Janeiro durante as primeiras décadas após a proibição. O cruzamento dos periódicos com os documentos judiciários e administrativos do então Distrito Federal revela como se deu a atuação policial naquele momento e qual o perfil e as trajetórias dos suspeitos levados à delegacia e à Casa de Detenção. Destacam-se o acirramento do combate às religiões de matriz africana, a mudança nos usos, na economia e nos significados coletivamente atribuídos a erva, o constante policiamento dos bairros de trabalhadores pobres na região portuária e no Morro da Favela e uma população carcerária incursa em seus dispositivos, masculina, majoritariamente descrita como preta e parda. O livro revelará, enfim, como o racismo e a eugenia denunciados pela literatura proibicionista dos anos anteriores se traduziram na definição que as autoridades policiais fariam sobre o conjunto de pessoas que deveria pagar o preço da nova política.

_outras informações

isbn: 978-65-87814-45-2
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 15,5x21cm
páginas: 216 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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