A caligrafia da língua

Disponibilidade: Brasil

Caligrafar a língua, o corpo, a rua, a cidade. Desacomodar os versos. Desenhar as palavras, traçá-las, bordá-las, pari-las, uma a uma. Enrolá-las num cueiro. Segurar nos braços o poema que nasce, aos prantos. O desgosto, a margem, o desumano. Aquilo que vive escondido. A caligrafia da língua se aloja no tempo, no som, no ritmo. Organizado em quatro tomos, é um livro de intensidades, que se arrisca. Um imenso poema de coisas ausentes.

R$54,00

_sobre este livro

Roger Ceccon disseca e acolhe. De quantas maneiras podemos seccionar a anatomia da Caligrafia da língua? Somos levados pelas mãos por sua escrita sintética, às margens. A língua, aqui, pode ser a forma como nos comunicamos, nosso sistema, nosso idioma. Pode também ser a língua do paladar e do saborear, a caligrafia como marca, e o poeta rasgado pela escrita. A linguagem como ruptura. Escrever e ler nas linhas das mãos os sentidos suscitados pela poesia. Pelas linhas da gengiva e das rugas dos poemas.

Ler este livro me lembrou a língua da medicina tradicional chinesa, instrumento diagnóstico que reflete os estados e os ânimos. Janela para o corpo, leitura da carne humana digna apenas a quem está poeticamente vivo. A língua, órgão muscular usado para falar e colocar para fora, é também usada para engolir realidades secas: outro marginal louro? Em duas f(r)ases da deglutição, a língua é fundamental. A parte voluntária durante a mastigação, que depois involuntariamente empurra o que foi mastigado. O involuntário que mata a fome que grita nos poemas de almas abichadas das realidades rachadas que vivemos.

Como podemos engolir realidades? Roger não responde, mas encarna nessa geografia das coisas miúdas e silenciosas, do invisível, do não dito. A morte, indigesta e engolida, nos pergunta de quantos fins podemos ser feitos? Porém, essa caligrafia também é de cura depois do luto do livro As imposturas da língua (2022), também escrito por ele. Aqui encontramos a sutura da língua. A ferida, o desejo, a cicatriz. Como resistentes, reaprendemos a poetizar depois dos silêncios dos vazios. Leiamos a Caligrafia da língua para rasgar e costurar nossas poesias.

Mayara Floss

Poeta, escritora e médica de família e comunidade

_outras informações

isbn: 978-85-7105-300-7
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 164 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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