As lamparinas no meu quarto
e a mãe contando de quando era menina
— Tinha um moço…
isso, tinha um moço que não era meu pai,
mas também era amor
e eu nunca quis saber deste amor
que meu pai não podia ouvir.
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_sobre este livro
É nos detalhes do piso, das paredes, da infância e da juventude que Viviane Santiago resgata e define memórias em palavras. Uma coreografia pontuada pela simplicidade e destreza de minuciar o poema de tal modo que se crie um inventário de emoções, amores e saudades. A autora encontra, na observação do cotidiano familiar, no abstrato e no imaginativo, um espaço aberto para o outro. Como se pudesse expressar, no poema, além de sua própria voz, também a voz daquele que a lê; numa compulsória valsa de semelhanças e lirismo, compartilhadas como em um acordo de cumplicidade e segredo sobre coisas que não contamos a (quase) ninguém.
A autora expressa com sua despretensiosa delicadeza e observação momentos íntimos, tão seus que passam a ser nossos: “A foto da avó sorrindo/ ou meu irmão menino,/ que não sabia do peso que um homem carrega sobre as costas.”
Em todos os versos, um grito. Uma fala que deve permanecer em silêncio. Silêncios possíveis nas entrelinhas, frenéticos pela possibilidade de serem vistos.
A autora tece palavras como quem constrói caminhos feitos de linha de seda, numa tessitura de saberes que nos carregam com desejo incessante para que o trajeto — da vida e das páginas — dure um pouco mais.
Carol Diniz Bernardes
Doutora em Teoria da Literatura e escritora
_outras informações
isbn: 978-85-7105-234-5
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 88 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª