Partida ao cais

Disponibilidade: Brasil/Europa

Beth, uma mulher que prefere ser sereia, quer um passado novo. Não basta reescrever o conto de Ariel, é urgente reeditar sua própria história. Ela não quer mais ser a moça assassinada, a Black Dahlia, aquela que chamou tanta atenção nos jornais dos EUA no início do século XX. Beth quer seu passado de volta, sua morte também.
Cabe à narradora desta novela, uma escritora radicada em Veneza e escondida no centenário Café Florian, aceitar esta ordem no meio de um luto, uma inundação e uma pausa no casamento. Ninguém pode dizer não a uma sereia gótica com apenas um seio, do outro lado uma cicatriz, no rosto uma tristeza sólida e macilenta. Juntas, numa costura artística de cicatrizes, as duas seguem em busca da transformação, da metamorfose, do maravilhamento. Partida ao cais é uma jornada surrealista, uma viagem feita numa Veneza inundada, Veneza-pântano, onde o corpo da mulher pode ser o que a dona deste corpo bem quiser e não o que artistas surrealistas como Max Ernst e André Breton desejavam, obcecados com a figura da femme-enfant.

 

 

R$55,00

_sobre este livro

Você já sabe como se escreve a raiva?

Escrever sobre a mãe morta é procurar por problema. Quando uma mãe morre, começa uma transformação no corpo da filha. Um legado insuportável e pesado como fardo que nos faz repuxar a perna, doer os nervos, pesar as ancas como se afundássemos, criar fungos nos pulmões.
Carla Mühlhaus e sua escrita embriagada de ricos sentidos como se fosse uma ode à sinestesia, nos colocam em contorno com o delírio da dor, do ressentimento e do espanto de uma mulher sem uma mãe, essa personagem sempre inacreditavelmente desconhecida de uma filha. Contorna a narrativa uma asma, uma dificuldade da mais natural capacidade de um corpo, a respiração, porque respirar não é tão simples quanto faz parecer o ar onírico de uma Veneza quase surrealista, acostumada a afundar e que nos intoxica com as referências molhadas de uma memória mofada, banhada a cicatrizes. Uma leitura que exige do leitor a atenção irrestrita, não só pela complexidade narrativa que dá ao texto uma estética deslumbrante e rara, mas pelas referências nunca gratuitas pontilhadas como cristais que, além de iluminar, fazem cortar. Elementos que se fincam, estacas venezianas profundamente mergulhadas que sustentam, mas que, como quem narra a morte, também apodrecem, deixando à mostra a beleza daquilo que desaba.

Nara Vidal

 

_outras informações

isbn: 978-65-5900-994-7
revisão: Victor Negri
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5 cm
páginas: 134 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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