Imagino o gosto do suor
dos corpos de Macapá
brilhantes dourados fluviais.
O suor e a chuva em encontro
de pele.
Porque mesmo que saibam da sua vinda,
há os que escolhem suar com a chuva
em uma alquimia de corpo.
A pele a chuva o suor
são um só.
R$49,90
_sobre este livro
Criado dentro de um país desenhado pelas distâncias, Imagino Macapá subverte uma ideia comum traçada sobre o que é uma cidade, um estado, um lugar. No poema-jornada-mergulho de Mariana Vogt, quem o acompanha começa a compreender um segredo que as próprias linhas do livro não contam. Explora-se um rumo para colocar a vida onde ela realmente deve estar, naquele local onde ela exista junto com tudo o que a rodeia. Por isso, um tipo muito específico de sensibilidade é buscada pela poeta, que inicia seu caminho indagando e tateando a linguagem das águas. Trata-se de uma forma de sobreviver às necessidades da pele, da língua, e principalmente, do imaginar. Macapá surge para Mariana como tudo aquilo que ainda não é. É a farinha que procura no mercado público e não encontra, são os lábios pintados pelo roxo do açaí que não provou, são as janelas das mulheres que não conhece, são os desejos dos peixes aprofundados em si. A aproximação que encurta a inexistência é apenas um meio de se chegar a um destino. Seguindo a chuva que a torna ilhada, na ilha cercada de mar onde mora, o presente se expande e a molha no Rio Araguari. De repente tudo é água. Mas também tudo se torna Macapá. Inspirada na artista Julia Panadés e sua obra Imagino Veneza, que foi escrita desde o Brasil sobre uma possibilidade da cidade italiana, Mariana parte do Sul, lugar em que os extremos são incorporados ao espaço dos sentimentos, e de onde o Norte do país se distancia cada vez mais quando se afirma o quão longe ele é. A poeta a localiza em um entorno incorporado aos limites da identidade que vive de sobrenomes e estrangeirismos para tentar dizer: “sobre como não olhamos para cima”. Mas também, coloca os pés na terra vermelha de onde vem, como se dissesse que as raízes a pertencem, assim como as raízes que no subterrâneo do mundo a ligam a Macapá.
Nina Veras
_outras informações
isbn: 978-65-5900-966-4
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 94 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª