Um whiskey com duas pedras, por favor.

Disponibilidade: Brasil/Europa

se em vez de dormir estivesse caída
a posição horizontal como queda
acordar seria vitória
o despertar um ato de resistência
cada dia construção
o futuro principia no colapso.

(página 61)

R$55,00

_sobre este livro

um whiskey com duas pedras, por favor., o primeiro livro de poemas de Irina Chitas, contraria a ligeireza com que a poesia circula hoje. Ao mesmo tempo, torna-se irresistível o desejo de sublinhar todas as frases, de as repetir a alguém, de as não esquecer. Os poemas habitam o quotidiano e o desvio, a loiça por lavar (“aqueles restos de tomate que têm restos de nós”) convive com os grandes temas do mundo — o amor, a morte, a solidão —, palavras encostadas umas às outras como ténis ao lado de livros. “Se calhar o amor é isto. as minhas palavras aos teus pés”. São poemas curtos, poemas longos, poemas que nos fazem dançar com a língua pelos cantos da boca, tropeçando sobre a brancura das páginas numa oralidade desavergonhada que soa a conversa interior, monólogo num registo da quase-banalidade que nunca o é, um jeito de dizer o poema com o olhar. Seria um erro resumir este um whiskey com duas pedras, por favor. como um livro de poemas sobre o amor, mesmo sendo-o em alguns dos seus mais iluminados momentos. Ao lado deles, estão outras inquietudes, reflexões sobre promessas da vida contemporânea, sonhos de revolução, recomeços sem princípios, sentimentos que não são alheios às convulsões políticas do mundo.

Entre o humor e o desalento, percorrer estas páginas é galgar ruas conhecidas, mas também territórios sombrios, mergulhar no passado, mas insistir em avançar. O tempo, ora cúmplice ora carrasco, deixa que cada verso se torne um impulso. Pelo meio, a cidade desenha-se enquanto as sombras dos casacos desfocados se perdem no amanhecer. “Estava sozinha em casa e escrevi. acho que é a isto que sabe a solidão. ou a liberdade”.
Se há livros que desviam o curso de uma leitura contínua, há outros que ecoam de tal modo em nós que nos atingem como farpas, que nos reorganizam por dentro. E que, na melhor das possibilidades, como aqui acontece, nos fazem acreditar que “o poema é não estarmos sozinhos quando nos falta a voz”.

Joana Moreira

_outras informações

revisão: victor negri
isbn: 978-85-7105-372-4
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 136 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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